Projeto científico busca a construção de redes de colaboração para desenvolver a pesquisa matemática no Nordeste

 Segundo o site Oficina de Comunicação Simone Câmara: Jangada Dinâmica visa à constituição de um polo de matemática no Ceará para divulgar pesquisas e estudos sobre sistemas dinâmicos. Iniciativa fortalece o propósito do Dia Nacional da Matemática, 6 de maio, de valorizar e propagar a relevância dessa ciência.

Universidade Federal do Ceará, sede do Jangada Dinâmica. Foto: Ribamar Neto/UFC                                                                                                                      Lançado em novembro de 2019, o projeto é financiado pelo Instituto Serrapilheira, primeira instituição privada, sem fins lucrativos, de fomento à ciência no Brasil. Desenvolvido na Universidade Federal do Ceará (UFC), o Jangada Dinâmica tem à frente o matemático Yuri Gomes Lima. Seu objetivo é integrar pesquisadores nas áreas de sistemas dinâmicos e teoria ergódiga, que estuda as propriedades estatísticas dos sistemas dinâmicos.

 

O projeto tem a duração de cinco anos. Yuri revela que a proposta visa desenvolver a pesquisa matemática no Nordeste. “A ideia é utilizar a UFC, que tem uma tradição na pesquisa matemática de excelência, como um hub entre os pesquisadores da região e internacionais, aproveitando as conexões que criei no exterior”, explica. As atividades são baseadas nos seguintes pilares: contratação de pós-doutorandos na UFC e requisitados a visitarem outras instituições do Nordeste; e organização de workshops, de uma escola de pós-graduação de sistemas dinâmicos e de escolas de verão de estudos avançados, que terão a visita de dinamicistas internacionalmente reconhecidos e durante as quais serão proferidos minicursos em tópicos recentes de pesquisa. Devido à pandemia, os primeiros eventos foram postergados e um deles realizado de modo remoto. No segundo semestre de 2022, será realizado o primeiro evento em formato presencial. A 2ª Jangada Dinâmica terá a duração de cinco dias e contará com a presença de pesquisadores do Brasil e exterior.

“Os pilares têm uma característica em comum, muito particular da matemática, que não necessita de uma grande infraestrutura, nem da aquisição de máquinas potentes, ao contrário de outras áreas científicas. O que mais valorizamos é a interação entre matemáticos, pois nos beneficiamos enormemente dessas redes: por meio de discussões in loco, somos capazes de entender e avançar em nossa pesquisa. É extremamente importante visitarmos e recebermos a visita de pesquisadores, de modo que ideias e métodos fluam mais facilmente”, ressalta Yuri. 

Durante a elaboração do projeto, o matemático discutiu com diversos colegas, locais e internacionais, sobre a importância de desenvolver um hub da matemática no Nordeste. “Os pesquisadores locais com os quais debati a ideia estão atualmente baseados na UFMA, UFPI e UFPE. Todos enfatizaram a necessidade de existir um centro de excelência na nossa região, para que tenham acesso mais fácil à matemática de qualidade”. 

Impacto da ciência

Na opinião de Yuri Lima, os dois pilares para uma sociedade desenvolvida são educação e ciência. É nestes pilares que a Jangada Dinâmica está focada, propondo fortalecê-la na Região Nordeste. “É um enorme desafio, que depende do esforço contínuo de diversos protagonistas e que agora é ainda maior, por conta da atual crise econômica que o Brasil enfrenta: nos últimos anos, o orçamento para educação, ciência e tecnologia tem sido drasticamente reduzido”, pondera. 

O cientista lembra as desigualdades sociais e econômicas do mundo e do Brasil. O Nordeste historicamente tem o maior número de analfabetos do País: em 2019, 13,9% dos habitantes da região não sabiam ler e escrever, em contraste com apenas 3,3% no Sudeste. Daí a importância do fomento local da educação e da ciência. 

“Nasci e fui criado em Fortaleza, Ceará, de onde saí quando tinha 21 anos para realizar meu doutorado no Rio de Janeiro, seguido de três estágios de pós-doutorado em Israel, Estados Unidos e França. Em 2017, decidi retornar à minha cidade natal, onde agora sou professor efetivo da UFC”, relata Yuri, concluindo: “Minha maior motivação profissional para essa volta é desenvolver na minha região natal um grupo de pesquisa em minhas áreas de expertise, que são sistemas dinâmicos e teoria ergódica. Embora o Brasil tenha expoentes nesses campos, a diversidade regional ainda é pobre e o Nordeste apresenta baixa representatividade”. 


Sobre o Instituto Serrapilheira

Criado em março de 2017, é primeira instituição privada sem fins lucrativos de fomento à ciência e à sua divulgação no Brasil. Seu propósito é valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade. No intuito de desenvolver uma cultura de ciência no país, atua em duas frentes: na científica, há o Programa de Apoio à Ciência, que identifica e apoia pesquisas de excelência de jovens cientistas e promove treinamentos e eventos de integração, e o Programa de Formação em Biologia e Ecologia Quantitativas. Quanto à divulgação científica, a entidade oferece suporte a projetos profissionais de jornalismo e mídia. Desde sua criação, há cinco anos, o instituto já apoiou quase 200 projetos de pesquisa e de divulgação científica.Atendimento à imprensa

Ricardo Viveiros ﹠ Associados — Oficina de Comunicação

Simone Câmara -- simone.alves@viveiros.com.br

Larissa Souza -- larissa.souza@viveiros.com.br

Telefone: (11) 97669-2394 / (11) 95142-7925

    

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