Governo mexicano nega ocultar informações sobre desaparecimento de 43 estudantes

 Segundo o site https://www.folhape.com.br/noticias: A Anistia Internacional denunciou que o país já tem mais de 97.000 casos de desaparecimentos registrados desde o ano 1964

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, negou, nesta terça-feira (29), que seu governo tenha ocultado informações importantes sobre o desaparecimento de 43 estudantes em 2014, como apontou um grupo independente que investiga o caso.                                                      López Obrador renunciou a responsabilidade de seu governo no mesmo dia em que a Anistia Internacional denunciou que a impunidade prevalece no México nos mais de 97.000 casos de desaparecimentos registrados desde 1964.

"Todas as informações estão sendo entregues, foram entregues. Os arquivos foram abertos como nunca antes e absolutamente nada está sendo escondido", disse o presidente sobre as investigações do desaparecimento dos estudantes de Ayotzinapa.                                          Na segunda-feira, uma comissão de especialistas acusou as autoridades mexicanas de ocultarem informações importantes a partir do dia em que ocorreram os fatos, antes de manifestações estudantis no município de Iguala (estado de Guerrero, sul).

Segundo o GIEI, algumas instituições – que não identificou – ainda estão relutantes em entregar as informações necessárias para o avanço das investigações, inclusive dados de inteligência.

López Obrador, que deu novo impulso às investigações quando assumiu o cargo em 2018, destacou que seu governo está empenhado em "dar a conhecer o que aconteceu com o desaparecimento dos jovens de Ayotzinapa".

Mas o GIEI,  criado em 2014 por um acordo entre a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Estado Mexicano, disse que houve um "fingimento" por parte de algumas autoridades para fazer crer que cumprem a instrução do presidente.

Militares investigados
Os 43 jovens, estudantes de Ayotzinapa, desapareceram entre a noite de 26 e a manhã de 27 de setembro de 2014 enquanto se dirigiam à Iguala para pegar ônibus que pretendiam usar em manifestações, em um dos piores casos de violação dos direitos humanos no México.

As autoridades suspeitam que a polícia local, em conluio com o cartel de drogas Guerreros Unidos, está envolvida no desaparecimento. Parentes das vítimas também acusam membros do Exército.

Em seu terceiro relatório sobre o caso, o GIEI apontou também que membros da Marinha participaram na manipulação de provas durante as primeiras investigações do caso no lixão de Cocula, onde foram encontrados restos humanos, incluindo os dos únicos três estudantes identificados até agora.

Em resposta, López Obrador acrescentou que os líderes da Marinha que participaram dessa operação serão investigados.

"A instrução foi dada para investigar os chefes da Marinha que participaram da operação e todos os que participaram já prestaram depoimento perante a acusação", disse.

Em seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no México, a Anistia Internacional informou que "os pais dos estudantes de Ayotzinapa denunciaram que o secretário de Defesa Nacional estava atrapalhando o andamento das investigações relacionadas ao caso".

Segundo a chamada “verdade histórica” do governo do então presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018), os jovens foram detidos e entregues por policiais locais a narcotraficantes do cartel Guerreros Unidos, ao serem confundidos com integrantes de uma gangue inimiga.

Após serem baleados, seus restos foram incinerados e colocados no lixão, segundo essa tese, Essa parte da narrativa é rechaçada por familiares das vítimas, o governo atual, o GIEI e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Crise de desaparecidos
A Anistia Internacional também denunciou que só em 2021 houve 7.000 desaparecimentos no México. O país está envolvido em uma espiral de violência desde 2006, quando foi implantada uma operação militar antidrogas que deixou cerca de 340.000 mortos.

"A impunidade nesta questão prevaleceu; apenas 35 condenações foram proferidas pelo crime de desaparecimento forçado" dos 97.000 casos, apontou o relatório.

A organização detalhou que várias pessoas que procuravam seus parentes desaparecidos morreram violentamente, "mas no final do ano ninguém havia sido processado por essas mortes".

Indicou ainda que existem atualmente cerca de 52.000 cadáveres não identificados, segundo dados oficiais, "a maioria (...) em valas comuns". O governo, que atribui a maior parte dos homicídios a confrontos entre criminosos, estima esses casos em 37 mil.        

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