quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Presidente do TJ diz que ao menos 22 juízes são ameaçados pela milícia e precisam de escolta

Segundo o site https://odia.ig.com.brPolícia Civil e Ministério Público fizeram uma megaoperação com alvo em 45 envolvidos em grupo paramilitar de Rio das PedrasO presidente do TJ Claudio de Mello TavaresO presidente do TJ Claudio de Mello Tavares - 
Rio - O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), o desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou nesta quinta-feira que ao menos 22 juízes da Corte estão sendo ameaçados por milicianos e necessitam de escolta. De acordo com o presidente, o grupo paramilitar —que age em Rio das Pedras, Muzema e região, na Zona Oeste do Rio — alvo da operação Os Intocáveis II também foi um dos que tentou intimidar os magistrados. 
Em setembro do ano passado, o TJ criou a 1ª Vara Criminal Especializada para receber apenas processos sobre organizações criminosas e lavagem de dinheiro. Um dos objetivos da Corte, além de concentrar os processos sobre o crime organizado, é proteger a integridade dos juízes.
"Todos os magistrados que atuam na área de milícia precisam de escolta. Para dar celeridade e a integridade física desses magistrados que estavam sendo ameaçados de morte nós criamos a 1ª Vara", disse Claudio de Mello. "Os juízes que trabalham em Jacarepaguá, em Rio das Pedras e e outras áreas já trabalham com mais tranquilidade.Ninguém teme ameaça", completou. 

A vara conta com três juízes criminais, que podem, inclusive, assinar conjuntamente as sentenças. Durante a coletiva, o presidente do TJ explicou que a Operação Intocáveis II é o primeiro grande caso da 1ª Vara Especializada e que, se houver necessidade, poderão ser criadas outras varas como essa.                                                      "Hoje demos um golpe forte no crime organizado, decretando a prisão preventiva de 44 milicianos", destacou o presidente do TJ. 
Além de decretar a prisão de 44 dos 45 acusados, a Vara Especializada suspendeu as atividades funcionais dos policiais presos, com a consequente perda do porte de armas, inclusive dos aposentados, e de todas as prerrogativas do cargo.

"Essa operação se iniciou com um trabalho de Inteligência da Polícia Civil e do Ministério Público, e teve uma resposta rápida do Poder Judiciário, que prontamente expediu os mandados de prisão e de busca e apreensão. Estamos dando uma resposta rápida à sociedade, que não pode mais conviver com esse tipo de crime", comentou o desembargador.
A Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ) fizeram, desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, uma megaoperação contra a milícia que age em Rio das Pedras, Muzema e região, na Zona Oeste do Rio. Na operação Os Intocáveis II, como foi batizada, os agentes foram cumprir 45 mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital.
Dentre os procurados, estiveram policiais civis da 16ª DP (Barra da Tijuca) e PMs do 18º e 31º BPM (Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, respectivamente). O servidor público Joailton de Oliveira Guimarães, da Fundação Parques e Jardins (FPJ), também é um dos alvos.
Até o momento, há pelo menos 33 presos, alguns em outros estados. Dentre eles, estão o chefe de Investigação da delegacia da Barra, o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves; e o sargento da PM Francisco Valentim de Souza Júnior, que é lotado no batalhão do Recreio.
DIVERSOS CRIMES
De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa age na região desde 5 de junho de 2014 e é liderada por Dalmir Pereira Barbosa, Paulo Eduardo da Silva Azevedo e Epaminondas Queiroz de Medeiros Júnior, conhecido como Capitão Queiroz. O grupo é
investigado pelos seguintes crimes:

. Grilagem
. Construção, venda e locação ilegais de imóveis
. Posse e porte ilegal de arma de fogo
. Extorsão de moradores e comerciantes com a cobrança de taxas mediante "serviços" prestados
. Ocultação de bens adquiridos com participação de "laranjas"
. Pagamento de propina a agentes públicos
. Agiotagem
. Utilização de ligações clandestinas de água e energia nos empreendimentos imobiliários ilegalmente construídos

Ainda segundo o MPRJ, a quadrilha usa arma de fogo para manter o controle sobre a região, além de contar com a participação de agentes públicos, ativos e inativos, especialmente policiais militares e civis. Com os servidores, os milicianos conseguem informações privilegiadas para manter as atividades ilegais e, assim, aumentarem sua área de atuação, "arvorando-se assim em poder paralelo ao Estado".
O grupo investigado age através de diferentes núcleos de atuação, dentre eles, a liderança e seus auxiliares diretos, como policial, segurança, financeiro, "laranjas" e imobiliário. 

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