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Agricultores pernambucanos compartilham saberes de resiliência climática com delegação do Quênia

6 de outubro de 2026

/ by visao surubim

 Segundo o site https://www.folhape.com.br/noticias: Comitiva do país africano visitará comunidades rurais, escolas e experiências produtivas em seis municípios do Semiárido a partir de segunda-feira (5)

                                            A Escola Municipal Levino Cândido conta com uma cisterna de 52 mil litros que garante o funcionamento regular e a manutenção de uma horta pedagógica  - Foto: Divulgação/ASA                                                   Experiências bem-sucedidas de resiliência climática protagonizadas por agricultoras e agricultores de Pernambuco estarão no centro do diálogo entre o Brasil e o Quênia sobre segurança hídrica e combate à fome. A partir de segunda-feira (5), representantes dos dois países participarão do “Intercâmbio de Experiências – Programa Cisternas e Tecnologias Sociais de Acesso à Água”, que percorrerá os municípios de Pesqueira, Buíque, Carnaíba, Afogados da Ingazeira, Tabira e Tuparetama.                                    

A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pelo Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Desta vez, os especialistas quenianos vão conhecer na prática como o ciclo do Programa Cisternas, ação que promove o acesso à água para consumo humano e produção de alimentos através da implementação de tecnologias sociais simples e de baixo custo, nos territórios do semiárido pernambucano.                                                                                                A política pública, instituída em 2003, constrói reservatórios de 16 mil e 52 mil litros, beneficiando mais de 1,4 milhão de famílias. 

Delegações
A missão técnica reunirá cerca de 30 participantes. A delegação africana será composta por lideranças estratégicas de órgãos como a Autoridade Nacional de Gestão de Secas, o Ministério da Educação, o Ministério do Trabalho e Proteção Social, o Tesouro Nacional do Quênia e o escritório do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no país.

“Esses momentos de intercâmbio são importantíssimos para aprofundar o diálogo sobre as tecnologias sociais, o acesso à água e a produção de alimentos em bases agroecológicas. Sejam eles com governos brasileiros, estudantes, professores universitários ou mesmo entre agricultores e agricultoras, os intercâmbios são primordiais para o fortalecimento do que a gente entende como o processo de Convivência com o Semiárido”, afirma a coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Waneska Bonfim.

Programação

O Intercâmbio começou na sede da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), no Recife. Na terça-feira (6), terá início a imersão de campo com visitas a comunidades, escolas rurais e unidades produtivas da agricultura familiar acompanhadas pela Diaconia, Cáritas Diocesana de Pesqueira, Casa da Mulher do Nordeste e pelo Centro Diocesano de Apoio ao Pequeno Produtor (Cedapp).                                                                      O roteiro começa em Pesqueira, no território indígena Xukuru, onde os intercambistas conhecerão a experiência de Fabiana Patrícia da Silva com a cisterna de água para consumo humano, a Casa de Sementes Mãe Zenilda Xukuru, o laboratório de plantas medicinais, uma agrofloresta e práticas de recuperação de áreas degradadas. Em seguida, as delegações irão para a propriedade de Abel e Iraci Santiago, que cultivam horta, frutíferas e plantas ornamentais, em Buíque.   

                                                      Na propriedade da agricultora Iraci Santiago os intercambistas irão conhecer a prática de preservação das sementes crioulas e o cultivo de horta, plantas frutíferas, ornamentais e medicinais - Foto: Divulgação/Diaconia                                                                                                                                             Na quarta-feira (7), a comitiva chegará ao município de Carnaíba, onde conhecerá o Sítio Mata Verde, de José Edson e Rosana Souza, que desde 2024 contam com uma cisterna de 52 mil litros para a produção de alimentos. Com a água da chuva armazenada, a família cria pequenos animais e produz queijo e manteiga de gado.

Em um segundo momento, os quenianos terão a oportunidade de visitar o Sítio Quintas e entender como, além das cisternas, o Fomento Rural contribui para a segurança e a soberania alimentar da família de Patrícia Nunes. Na mesma propriedade, haverá uma roda de conversa com o grupo de mulheres Rosa do Sertão, que desenvolve atividades de coleta seletiva na região.                                                                                            Por fim, encerrando a passagem por Carnaíba, os intercambistas visitarão Cleonice Martins para conhecer sistemas de tratamento de esgoto com produção de biogás e geração de energia solar. A agricultora também atua como guardiã de sementes crioulas e comercializa sua produção agroecológica por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O casal de agricultores José Edson e Rosana Souza produz queijo e manteiga de gado em Carnaíba - Foto: Diaconia                                                                                                                                                    À tarde, o intercâmbio de experiências será em Afogados da Ingazeira, mais precisamente na comunidade Carapuça, onde fica localizada a Escola Municipal Levino Cândido. A unidade de ensino, construída há 77 anos, deixou de depender de um poço artesiano e, hoje, conta com uma cisterna de 52 mil litros que garante o funcionamento regular e a manutenção de uma horta pedagógica.                                                          Encerramento

O último dia da imersão no campo será na quinta-feira (8), quando o grupo desembarca em Tabira para acompanhar a construção de uma cisterna-calçadão. A tecnologia social é a mais difundida para o armazenamento de água da chuva destinada à produção de alimentos, também chamada de “segunda água”.

Ainda pela manhã, os representantes dos governos brasileiro e queniano visitam a propriedade de Ivan Monteiro, localizada entre Tuparetama e Afogados da Ingazeira. O agricultor vai mostrar como consegue produzir sem veneno, gerar renda e sustentar a família no Semiárido graças à cisterna de 16 mil litros – reservatório que guarda água para beber e cozinhar – e a uma barragem subterrânea.

A missão técnica termina na sexta-feira (9), na sede da AP1MC, no Recife, com um momento de avaliação. O objetivo será refletir sobre os aprendizados e mapear as práticas que poderão ser adaptadas à realidade institucional e territorial do Quênia.                         

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