Segundo o site: https://www.folhape.com.br/noticias: Entre as principais preocupações estão doenças como a leptospirose e a hepatite A
Chuvas: período exige atenção para contaminação após contato com alagamentos e poças - Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco Em períodos de chuvas intensas, como os registrados nas últimas semanas na Região Metropolitana do Recife, é preciso redobrar a atenção com os alagamentos e poças de água, mesmo após a estiagem. Além do risco de lesões acidentais e choque elétrico, a água que fica acumulada durante tais eventos climáticos pode estar contaminada com vírus e bactérias que oferecem riscos à saúde. Entre as principais preocupações estão doenças como a leptospirose e a hepatite A.De acordo com o médico infectologista da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Lucas Caheté, a leptospirose é causada pelo contato com a bactéria Leptospira, presente na urina de roedores, como ratos e camundongos. Esses microrganismos se espalham pela água durante os alagamentos e enchentes, além de poças de água e esgotos. “A água contaminada é a principal forma de transmissão, principalmente se a pessoa tiver algum tipo de ferida nos pés, que a gente chama de porta de entrada. Outras formas de transmissão são pelas mucosas. Então, o contato de água contaminada com os olhos, boca e narinas também são formas de transmissão da leptospirose”, explica o médico.
Contaminação
Segundo o especialista, os sintomas de infecção por leptospira aparecem geralmente em torno de 5 dias a 14 dias após o contato com a água contaminada. Entre os sintomas mais comuns, ele destaca:
“Dor de cabeça, febre, dores pelo corpo, principalmente dores musculares - em especial na panturrilha -, náuseas, vômitos e dor abdominal. Outro sintoma que é raro, mas pode acontecer, é a icterícia, que é a tonalidade amarelada dos olhos ou da pele”, detalha o infectologista, que ressalta: “Esse último é mais comum na hepatite A, inclusive”.
A doença é transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados com água suja, como as de esgoto, ou dejetos humanos. Outras formas de transmissão da hepatite A são o contato pessoal próximo ou sexual. O período de incubação médio, que vai do contato com o vírus até a manifestação dos sintomas, é de 15 a 45 dias.
O médico ressalta ainda que, quando apresentados pelos pacientes, esses sintomas não são específicos e podem se manifestar inicialmente como fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia. Além disso, a alteração da coloração da urina para um tom mais escuro ocorre antes do início da fase em que a pessoa pode ficar com a pele e os olhos amarelados (icterícia). “Outras doenças que também são comuns nesse período são as doenças diarreicas, relacionadas a bactérias como a salmonella, shigella, cólera e a giárdia, que podem ser contraídas durante o contato com a água contaminada”, completa Lucas.
Prevenção
A principal forma de prevenção é evitar o contato com água contaminada, especialmente se estiver com algum corte ou ferida aberta ou tiver cutilado as unhas recentemente.
“Em caso de exposição, o principal cuidado é com a limpeza do local, lavando bem as áreas, com água e sabão. Em locais que foram afetados, a limpeza deve ser feita com hipoclorito de sódio e a água sanitária, para evitar a contaminação e matar possíveis agentes que estejam ali”, orienta o infectologista.
Com relação à hepatite A, outro ponto importante para a prevenção é a vacinação. “Na rede pública de saúde, o imunizante está disponível para crianças de 15 meses a 4 anos de idade e pessoas com comorbidades”, ressalta Caheté.
Pets
Esses cuidados se estendem aos animais de estimação. Caso sejam contaminados, eles também podem transmitir doenças como a leptospirose. A médica veterinária Ada Ferreira alerta que é preciso tomar cuidado com passeios e comedouros expostos em áreas externas. “Os animais podem se contaminar cheirando os locais onde o roedor urinou, andando na rua se estiver com algum corte ou ferida aberta, entrando ou bebendo em poças de água, lambendo as patas após o passeio, alimentando-se ou bebendo de comedouros deixados em quintais onde o acesso para ratos é mais fácil e pode ocorrer de ele urinar na vasilha ou no alimento”, detalha.
Caso seja contaminado, os sintomas que o animal apresenta são os mesmos que os humanos. Além disso, o processo de transmissão da doença do pet para o tutor também é igual ao do transmissor original: através da urina.
“Se o animal estiver com leptospirose, principalmente cachorro - gato é mais difícil por conta das caixas de areia higiênicas -, e você tiver contato com a urina dele, por exemplo, pisar no local com alguma lesão na pele, é possível se contaminar. Por isso, manter a vacina contra a leptospirose atualizada é essencial”, completa a veterinária.
Se mesmo com todos os cuidados os sintomas aparecem após uma possível exposição, seja para pets ou humanos, o ideal é procurar ajuda médica de imediato. O infectologista da SES-PE orienta que a população deve procurar as policlínicas ou as unidades de pronto-atendimento (UPAs) para avaliação e realização de exames. Os pets devem passar pela avaliação de um veterinário e, se necessário, também realizar exames.

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