Blog Visão Surubim

Blog Visão Surubim
Contato 81-99509-4564

Crise hídrica no Agreste é destaque nas discussões em sessão da Câmara Municipal de Surubim

1 de maio de 2025

/ by visao surubim

 Segundo o site https://surubim.portaldacidade.com/noticias: Com o baixo volume de água na Barragem de Jucazinho; vereadores expressam preocupação e defendem medidas urgentes para garantir água para a populaçã                                                                                                 

A crise hídrica que vem atingindo a região do Agreste de Pernambuco foi o principal tema da sessão ordinária realizada na noite desta quarta-feira (30 de abril), na Câmara Municipal de Surubim. Com o volume da Barragem de Jucazinho reduzido a apenas 3,43% da sua capacidade, segundo dados do Monitoramento de Reservatórios da Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima), vereadores da base e da oposição deixaram de lado divergências partidárias e se uniram em torno da necessidade de providências emergenciais.

A sessão da Câmara refletiu a dimensão da crise enfrentada pelo Agreste, onde a escassez de água ameaça o cotidiano e a dignidade da população. Os discursos apontaram falhas na gestão hídrica por parte do Governo do Estado e da Compesa, além de propostas para mitigar o sofrimento da população. As falas dos vereadores, apesar das críticas contundentes, convergiram no desejo comum de encontrar soluções práticas e eficazes.

                                                                                  O vereador Murilo Barbosa (PP) chamou atenção para o colapso no sistema de abastecimento e para a baixa qualidade da água disponível em Jucazinho. “Sabemos que a crise hídrica é grande. Além do baixo nível de abastecimento, a água disponível não é da melhor qualidade”, afirmou. Como solução, defendeu o uso da água da Transposição do Rio São Francisco. “Trazendo essa água e direcionando-a diretamente para a Estação de Tratamento de Jucazinho, podemos aproveitar a estrutura de tubulação já existente”, acrescentou. 

Problemas na utilização do volume morto

            

O vereador Luciano Medeiros Filho, Bomba (PSB), atual presidente da Câmara, denunciou a situação da barragem e a falta de manutenção na estrutura como causa da impossibilidade de uso da reserva técnica (também chamada de volume morto). Ele explicou que a comporta da barragem está submersa, danificada por corrosão e acúmulo de sedimentos, o que compromete o sistema hidráulico. “A barragem secando, todo mundo vendo a dificuldade, e providência nenhuma foi tomada pela Compesa. A situação poderia estar diferente hoje se medidas tivessem sido adotadas com antecedência”, criticou.

                                                                         Bomba destacou ainda que a quantidade de água ainda presente no reservatório é semelhante à soma das barragens de Pedra Fina (Bom Jardim) e Siriji (Vicência), mas permanece inutilizável por causa da omissão do Estado. “A gente não vai poder usar essa água justamente por falta de responsabilidade — ou irresponsabilidade — da Compesa. Essa é a verdade”, afirmou.

O vereador Dr. Vavá (Solidariedade) também reforçou o apelo por soluções concretas, focando na responsabilidade da gestão municipal diante da crise. Para ele, a população quer medidas práticas, não embates políticos. “O que o povo quer agora é solução”, disse. Ele sugeriu que a Prefeitura de Surubim utilize recursos próprios para contratar ao menos 20 caminhões-pipa, evitando que os moradores fiquem sem água enquanto se aguarda uma solução estrutural. “Se for esperar os caminhões da Compesa, desculpa eu lhe falar, mas o povo não vai ter essa água na sua cidade”, advertiu.

Em tom de indignação, a vereadora Katiane da Saúde (PSB) destacou o impacto direto da falta de água na vida dos moradores, principalmente das comunidades mais vulneráveis. Ela relatou que muitas famílias não conseguem sequer solicitar caminhão-pipa, por não terem telefone, acesso à internet ou meios de se inscrever nas listas da Prefeitura e da Compesa. “A água é pra hoje, né? É um bem essencial. A gente pode até ficar sem comer, mas sem beber, não dá”, afirmou.

                                                                     Katiane criticou o descaso das autoridades estaduais e cobrou uma atuação mais presente do Executivo municipal. Também apontou falhas na instalação de caixas d’água nas comunidades e sugeriu que a Prefeitura amplie essas ações emergenciais, já que algumas localidades estão há mais de um mês sem qualquer tipo de abastecimento. Para ela, “nesse momento, é a água que precisa ser tratada como prioridade máxima”.

Proposta de realização de Audiência Pública

Por fim, o vereador Júnior Amorim (União Brasil) sugeriu uma articulação regional entre os municípios afetados pela crise hídrica. Ele mencionou cidades como Santa Maria do Cambucá, Frei Miguelinho, Vertentes, Vertente do Lério, Casinhas, Cumaru e Riacho das Almas, que também dependem de Jucazinho e estão sofrendo com a escassez.

Segundo Júnior, é necessário formar uma frente conjunta de prefeitos, vereadores e lideranças para buscar soluções em Brasília, junto ao Governo Federal. “O que não pode é deixar o povo estar sofrendo com a falta da água”, enfatizou. O parlamentar propôs a convocação de uma audiência pública, com a participação de representantes da Compesa, do Governo do Estado, de prefeitos e da sociedade civil, para discutir alternativas reais e cobrar ações coordenadas para enfrentar o colapso no abastecimento.

Nenhum comentário

Postar um comentário

Don't Miss
© Todos os direitos reservados