Apreensão de adolescentes no final do ano cai em limbo da burocracia judicial

 Segundo o site https://www.noticiasaominuto.com.br/brasil: Tudo começou na madrugada do dia 15, quando Cláudio e outros adolescentes estavam em um ponto de ônibus em frente à estação Penha do metrô, na zona leste paulistan

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -Jogador de futebol da divisão de base de um clube esportivo de São Paulo, o adolescente Cláudio (nome fictício), 16, está internado desde 15 de dezembro do ano passado, acusado de roubo, sob o protesto de parentes e amigos, que apontam a apreensão como um erro.                                                                                          Ocorrido às vésperas do recesso forense, que paralisa o sistema de Justiça anualmente de 20 de dezembro até 6 de janeiro, o caso de Cláudio caiu numa espécie de limbo da burocracia judicial.

No vácuo de uma investigação policial, a mãe dele, Márcia (nome fictício), encontrou por conta própria uma testemunha da inocência do filho.

Márcia -uma ajudante de cozinha, mãe de outras sete crianças- juntou recursos obtidos numa vaquinha com um empréstimo de R$ 1.000 para pagar um advogado.

Tudo começou na madrugada do dia 15, quando Cláudio e outros adolescentes estavam em um ponto de ônibus em frente à estação Penha do metrô, na zona leste paulistana. O plano era vender balas e chicletes na porta de bares e baladas do Tatuapé, também na zona leste, como já haviam feito algumas vezes.

O suposto pedófilo foi surpreendido pela reação dos meninos, que partiram para cima dele, fazendo sua mochila cair no chão. "Tive de tirar ele de dentro do meu ônibus, onde ele entrou para se refugiar", afirma Mendes.

Cláudio teria dissuadido os amigos de agredir o homem enquanto outro garoto jogava no lixo a mochila do suposto assediador, que fugiu. Os adolescentes permaneceram no local, esperando pelo ônibus, quando chegaram policiais militares, acompanhados pelo dono da mochila.

O homem apontou Cláudio e João (nome fictício), outro garoto do grupo, como responsáveis pelo que seria o roubo de sua mochila contendo notebook, celular e carteira com documentos.

Os meninos, negros, mostraram onde estava a mochila, com todos os pertences, e a entregaram aos policiais, a quem explicaram sobre o assédio sofrido.                                      Ainda assim, foram levados para o 10º distrito policial. Os PMs que conduziram o caso à delegacia relataram que os meninos disseram terem sido assediados pela vítima, mas apenas a versão do adulto que os acusava de roubo foi considerada.

O delegado do caso, Weider Angelo, registrou que, na hora de ouvir a versão dos adolescentes, Cláudio e João, na presença de suas mães, preferiram "permanecer em silêncio".

As mães negam que tenham estado presentes na apresentação dos jovens ao delegado e dizem que seus filhos informam que não tiveram a oportunidade de dar sua versão dos fatos.

Os adolescentes foram apreendidos com base no reconhecimento daquele que acusavam de assédio, descrito como um homem pardo de 27 anos.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública reitera a versão do delegado, porém não informa o motivo pelo qual o homem apontado pelos adolescentes como assediador não foi tratado como suspeito de um crime previsto no artigo 218-B do Código Penal: "Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos".

Encaminhados ao Fórum das Varas Especiais de Infância e Juventude, eles foram submetidos a uma oitiva informal.      

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