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Alvos da Lava Jato, 11 construtoras têm queda de 89% em 4 anos

 Segundo o site https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil: Construtoras que estiveram na mira das investigações da operação Lava Jato contra esquema de desvio de recursos em obras públicas perderam receita combinada de R$ 107,9 bilhões –no auge, em 2015– para R$ 11,8 bilhões em 2019. Houve queda de 89% em 4 anos.

Essa conta considera dados de 11 construtoras: Odebrecht, UTC, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, OAS, Carioca, Nova Engevix e Techint.
Somadas à Petrobras, essas empresas tiveram queda conjunta de faturamento de R$ 563 bilhões. É o valor acumulado que deixaram de receber em relação ao máximo registrado. O total de cada ano foi atualizado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até maio de 2021. Levou-se em conta o maior faturamento registrado antes do início das investigações ou logo em seguida, quando os contratos anteriores ainda estavam em vigor. A perda média por ano é de R$ 80,4 bilhões.
O Ministério Público Federal diz ter recuperado aos cofres públicos R$ 6,6 bilhões desde o início da operação, que foi à rua pela 1ª vez em março de 2014. Há ainda outros valores que já foram estipulados em ações judiciais, como acordos de colaboração e multas, que ainda não foram ressarcidos.


Há divergências quanto à possível influência das investigações da Lava Jato nos resultados das empresas. Houve veto à participação em licitações do governo federal e também de Estados e municípios. Várias companhias também passaram a enfrentar dificuldades para receber empréstimos de bancos, o que resultou em problemas para pagar obrigações.


Houve períodos de queda do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015, 2016 e 2020. Alguns analistas veem os impasses causados pelas investigações como uma das causas do 1º período de recessão. Mas um fator muito significativo no período, sem relação com isso, é a queda no preço de commodities exportadas pelo Brasil. Isso teria influenciado negativamente o faturamento das construtoras independentemente das investigações.


Na conta elaborada pelo Poder360, estão 12 empresas. Estão a Petrobras e as maiores construtoras que tinham contratos investigados: Odebrecht, Petrobras, UTC, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, OAS, Carioca, Nova Engevix e Techint.


O levantamento foi feito por meio de entrevistas e de consultas a 94 balanços financeiros publicados pelas companhias nos Diários Oficiais. O critério usado foi a perda de receita em relação ao ápice de cada empresa anterior à Lava Jato (em alguns casos a referência foi 2013; em outros, 2014). O Poder360 também procurou as empresas citadas para compilar dados. Saiba aqui detalhadamente como o jornal digital apurou as perdas nas empresas alvos da operação.


Empresas que estavam dependiam mais de contratos com a Petrobras tiveram maior dificuldade no início da crise. Naquela época, as denúncias de desvios de recursos da estatal para partidos políticos fizeram o comando da estatal suspender o pagamento de contratos e impedir dezenas de construtoras de participar de novas licitações até o esclarecimento das suspeitas de corrupção.


Leia mais:

Empresas investigadas na Lava Jato deixaram de faturar R$ 563 bilhões;

Saiba como o Poder360 apurou a queda de empresas envolvidas na Lava Jato;

Estado deixa de arrecadar R$ 41,3 bilhões de empresas envolvidas na Lava Jato;

Mais de 200 mil empregos foram eliminados em investigadas pela Lava Jato;

Maior operação contra a corrupção, Lava Jato sai de cena quase esquecida.

Sem poder atuar em grandes obras, algumas das companhias entraram em colapso.


Nas contas do Poder360, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 41,3 bilhões em tributos até 2020. O montante é 6 vezes o dos recursos que os procuradores da força-tarefa anunciaram ter recuperado e devolvido aos cofres públicos.


PÓS-LAVA JATO

Várias das companhias passaram por reestruturação na tentativa de se manter em atividade. As construtoras Mendes Júnior, Queiroz Galvão, Odebrecht, OAS e UTC estão entre as que pediram recuperação judicial. Elas enxugaram suas estruturas, fecharam novos acordos com seus credores e reduziram o quadro de funcionários.


Levantamento feito pelo Poder360 mostra que houve 207 mil demissões desde a Lava Jato nessas empresas. É o saldo líquido, levando em conta o número de vagas de trabalho em 2014 e no ano passado. As variações para mais e para menos durante o período não foram consideradas. A Odebrecht, gigante do setor, por exemplo, cortou 94% do quadro de funcionários: de 126 mil em 2013 para 7.548 em 2020.


O Poder360 ouviu de alguns integrantes das companhias que foi necessário fazer várias ações para mitigar todo o estrago ocorrido no passado, tanto pela crise econômica como pelo “estigma da corrupção”. Algumas empreiteiras mudaram de nome, criaram empresas para se desvincular da Lava Jato e começar uma nova etapa.


A Camargo Corrêa se desfez de importantes negócios. Em 2017, a holding (empresa mãe) mudou seu nome para Mover. Depois, dividiu a empreiteira em duas: Construções e Comércio Camargo Corrêa (4C), que concentra a carteira de obras e as negociações com a Lava Jato, e a Camargo Corrêa Infra, para cuidar do “futuro”.


A Odebrecht trocou o seu nome para NovoNor. O braço de engenharia do grupo adotou a sigla OEC (Odebrecht Engenharia & Construção) e abandonou a cor vermelha.


Já o grupo baiano OAS, fundado em 1976, passou a se chamar Metha. A companhia, que chegou a ser considerada uma das maiores do ramo no Brasil, foi vendida para um fundo de investimentos por R$ 4,5 bilhões.


O perfil dos contratos também mudou. As empreiteiras passaram a privilegiar obras privadas. A Camargo Corrêa, por exemplo, passou a contar com portfólio mais focado em infraestrutura do que em construção civil, como a extensão do Metrô de Salvador.

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