quarta-feira, 16 de setembro de 2020

PF investiga contratos de combate à Covid-19 das prefeituras do Recife e de Jaboatão e prende empresário

 Segundo o site  https://g1.globo.com/pe/pernambuco:  Operação apura suposto direcionamento de acordos para prestação de serviços que somam mais de R$ 57 milhões. Equipe da PF fez buscas na Secretaria de Saúde do Recife, localizada na sede da prefeitura, e na de Jaboatão.

A Polícia Federal (PF) em Pernambuco prendeu um empresário e fez buscas, nesta quarta-feira (16), nas secretarias de Saúde do Recife e de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, dentro da Operação Desumano, que investiga supostas irregularidades em contratos relacionados ao combate à Covid-19, que somam R$ 57 milhões                                                                                                                                                       O empresário Paulo Magnus foi preso temporariamente por cinco dias, no Recife. A PF informou que três carros de luxo foram apreendidos na residência dele. A defesa do empresário afirmou que vai prova a inocência dele e que Magnus "sempre pautou sua vida pessoal e profissional na transparência, honestidade e na legalidade das suas ações".                                                                                                                                                                  Dos 21 mandados de busca e apreensão, 16 foram para endereços no Recife, três em Jaboatão dos Guararapes, um em Olinda e outro em Paulista. Entre os locais, estavam as residências dos secretários de Saúde das duas prefeituras investigadas. Ao todo, cinco veículos foram apreendidos.                                                                           As prefeituras do Recife e de Jaboatão negaram irregularidades e que as contratações da entidade investigada pela PF para gerir o hospital de campanha foram acompanhadas pelos órgãos de controle.                                      

Investigações

De acordo com a PF, uma organização social de saúde (OSS) foi contratada pelo prazo de seis meses pelas prefeituras para gerenciar os hospitais de campanha da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, e de Jaboatão dos Guararapes. Os contratos foram firmados com dispensa de licitação em ambos os casos, o que chamou                a atenção da Controladoria Geral da União.                                                                                                                     "A gestão dos serviços inclui tudo, desde a parte administrativa do hospital de campanha até os serviços prestados. Desde exames laboratoriais, serviços na parte de terceirização. Tudo que envolve o hospital",          disse o delegado responsável pelas investigações, Orlando Neves Neto.                                                                       A OSS, segundo a PF, não teria estrutura operacional e financeira para fazer os serviços terceirizados, que foram contratados por meio de recursos enviados aos municípios pelo Ministério da Saúde.

"O patrimônio social [da OSS] era em torno de R$ 18 mil. Como um instituto com cerca de 11 funcionários podiam gerir contratos de aproximadamente R$ 57 milhões?", afirmou o delegado.

"Um ponto que gerou a necessidade de aprofundar essas investigações              é que o presidente do Instituto Humanize é, na verdade, empregado                      de uma empresa de transporte e possui uma renda declarada em fontes  abertas de aproximadamente R$ 2 mil. Em outra empresa, ele é sócio                  do empresário preso", disse o delegado.                                                                  Para gerenciar os hospitais de campanha, o Instituto subcontratou              cerca de 12 empresas, segundo as investigações. "Estamos levantando           se elas existem. Elas pertencem ao grupo econômico do empresário          detido , o que demonstra clara evidência que o presidente do instituto                  é um laranja que atua em nome do empresário", afirmou o delegado.

A PF afirmou, ainda, que pode ter ocorrido pagamento indevido a              agentes públicos. Os envolvidos podem responder por peculato,                 organização criminosa, falsidade ideológica e dispensa indevida                       de licitação.

O contrato firmado pelo município do Recife foi no valor de                                      R$ 34.028.654,07 e o de Jaboatão dos Guararapes, no valor de                           R$ 23.740.308,84, apontou a investigação. As prefeituras alegaram                que pagaram outros valores.

Em nota, a                      prefeitura do Recife negou irregularidades e afirmou que o                                Instituto Humanize de Assistência e Responsabilidade Social foi                           a organização responsável pela gestão do hospital de                         campanha da Imbiribeira, que funcionou por cinco meses.                           O total repassado foi de R$ 14,9 milhões, segundo o                              município.

A gestão da capital afirmou, ainda, que "envia, por iniciativa própria,                       todos os processos de compras e contratações da pandemia para os              órgãos de controle. Esse contrato, por exemplo, foi enviado ao                       Tribunal de Contas do Estado em abril".                                                                  A prefeitura de Jaboatão apontou, também em nota, que "no ato da contratação, foi verificado previamente que a entidade já tinha contrato              firmado com outro município para desenvolver a mesma atividade e                  que possui registro no Ministério da Saúde desde 19 de outubro                         de 2017".

"O contrato foi encerrado em 29 de julho de 2020, em decorrência                              da queda dos números de casos da Covid-19. No período                               de 86 dias, foi pago o valor de R$ 4.892.872,72, em três parcelas,                    sendo: a primeira de R$ 3.956.718,14; a segunda de R$ 927.854,58;                             e a terceira de R$ 8.300,00, conforme os serviços de fato                  prestados", apontou o governo de Jaboatão.

Instituto

Por meio de nota, o Instituto Humanize de Assistência e                            Responsabilidade Social "repudiou com veemência as acusações                          feitas pelo Ministério Público Federal, dentro da operação                           Desumanos".

Ainda de acordo com a instituição, "todas as prestações de                          contas foram entregues, dentro dos prazos, às prefeituras do                       Recife e de Jaboatão dos Guararapes, bem como ao Tribunal                           de Contas do Estado (TCE), a quem cumpre a obrigação de                      fiscalizar a execução dos contratos".

O Instituto Humanize de Assistência e Responsabilidade Social disse,                   ainda, que "respeita regras de compliance e, prezando pela                   transparência, suas prestações de contas estão à disposição da               sociedade por meio site www.humanize.org.br". O Instituto também                 afirmou que "sempre esteve à disposição para todos os                  esclarecimentos".  

Ligação com outras investigações

A PF apontou que encontrou indícios de participação de um grupo                 econômico já investigado na Operação Assepsia, no Rio Grande                Norte. Segundo a investigação, esse grupo chefiava uma                      organização criminosa com atuação em vários estados para                                 o direcionamento de contratação de OSS para a administração                         de hospitais.

A ação é feita em conjunto com a Controladoria-Geral da                               União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e o Grupo de                   Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)                    do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE).                                       

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