quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Grande operação mira lavagem de dinheiro do Comando Vermelho

 Segundo o site https://odia.ig.com.br: São 28 mandados de busca e apreensão, que estão acontecendo em cinco estados

Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ) fazem, desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, a Operação Overload II, contra um esquema de lavagem de dinheiro da facção Comando Vermelho (CV), a maior do estado. São 28 mandados de busca e apreensão contra 12 pessoas e 35 empresas, que estão sendo cumpridos em cinco estados (Rio, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraná).

Os mandados estão sendo cumpridos nas seguintes cidades:                                      . Rio de Janeiro (RJ)
. Belo Horizonte (MG) 
. Campo Grande (MS)
. Ponta Porã (MS)
. Curitiba (PR)
. Araucária (PR)
. Guarapuava (PR)
. Ponta Grossa (PR)
. São José dos Pinhais (PR)  
. Mafra (SC) 
De acordo com as investigações, em pouco mais de um ano, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 200 milhões. Chefes do bando participam dessas movimentações financeiras mesmo presos, alguns em presídios federais, repassando ordens aos subordinados.

"A investigação realizada desarticulou financeiramente a organização criminosa autodenominada Comando Vermelho, responsável pelas recentes cenas de guerra por disputa de territórios vivenciadas pela população do Estado do Rio de Janeiro, uma vez que o fortalecimento do seu poderio bélico está diretamente vinculado aos altos valores auferidos pelas suas atividades ilícitas, o que tende a aumentar com as recentes decisões judiciais que vedam as ações policiais em comunidades dominadas pelo tráfico", destaca o delegado Felipe Curi, chefe do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), que comanda a operação.
PRIMEIRA FASE
A primeira fase da Overload, realizada em junho de 2015, levou 61 traficantes que fazem parte da liderança do CV à condenação. Os alvos agem principalmente em comunidades da capital, Baixada FluminenseNiterói e São Gonçalo.
"No transcorrer da investigação, foram detectadas inúmeras negociações de vendas de armas e drogas pela organização criminosa, sendo identificadas diversas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na transação", conta Curi.
Dentre os integrante da facção que fazem parte do esquema estão:
Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP: um dos líderes do CV
Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco: chefia comunidades dos complexos do Alemão e Penha, condenado como o mandante da morte do jornalista Tim Lopes, em junho de 2002  
Eliézer Miranda Joaquim, o Criam: preso no Complexo de Gericinó, em Bangu III, recebendo ordens de Elias Maluco
Elizeu Felício de Souza, o Zeu: condenado por ter matado Tim Lopes
Edson Silva de Souza, o Orelha: chefe do tráfico no Alemão
Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D: uma das lideranças do Alemão
Alcindo Luiz Fernandes, o Da Cabrita: liderança no Complexo do Caramujo, em Niterói
Luiz Cláudio Machado, o Marreta: age no Complexo do Lins
Anderson Sant'Anna da Silva, o Gão: atua no Morro Faz Quem Quer (Rocha Miranda)
Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira: age no Complexo do Chapadão
Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira: atua no Complexo do Chapadão
Ainda segundo a polícia, de dentro da cadeia, Criam compra drogas e armas, dando ordens a comparsas das comunidade onde atua. Ele é responsável pela parte financeira do bando e por repassar parte dos lucros da quadrilha à família de Elias Maluco.
A LAVAGEM
Os policiais tiveram acesso à prestação de contas do bando em várias comunidades. Apenas na Baixada, o faturamento mensal da organização criminosa chega a R$ 7,2 milhões. Cerca de 20% desse valor é repassado aos líderes da quadrilha. 
Através dos dados obtidos, a polícia descobriu que a "lavagem" acontece para dar "legalidade" ao valor obtido com o tráfico de drogas, compra e venda de armas de fogo e munições, roubos de carga, de veículos, a estabelecimentos comerciais, a instituições financeiras, dentre outros crimes.
As investigações apontaram que os criminosos usam contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas para fazer depósitos de grandes valores. Depois, eles retiram o montante dessas contas como se fosse valor "legal".
As empresas envolvidas no esquema ficam no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Algumas delas têm sede, com vários funcionários, e recebiam depósitos de valores diretamente dos traficantes. A diferença da renda declarada oficialmente e o montante depositado era bem grande, chegando a milhões de reais por ano. 
A polícia conseguiu o bloqueio dessas contas, que terão o valor apreendido.
A ação de hoje é comandada pelo DGPE e tem o apoio do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR), da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) e da 25ª DP (Engenho Novo)

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