sábado, 26 de setembro de 2020

Cumaru, em Pernambuco, lidera lista de cidades com mais eleitores do que habitantes em todo o Brasil

 Segundo o site https://g1.globo.com/pe/pernambuco: Cidade, no Agreste, tem 15.335 mil eleitores registrados no TSE e 10.192 moradores, de segundo IBGE. É a maior diferença levando em conta os números absolutos.

Cumaru, no Agreste de Pernambuco, possui 10.192 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de          Geografia e Estatística (IBGE). Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que                                       há 15. 335 pessoas aptas a votar nas eleições em 2020. Em números absolutos, a cidade lidera                                 a lista nacional de municípios com mais eleitores do que habitantes.

Segundo levantamento do G1, utilizando dados do IBGE e do                        TSE, o número de cidades que possuem mais eleitores que                      habitantes cresceu 60% desde as últimas eleições, em 2018.                      Atualmente, são 493 municípios brasileiros com essa situação.                           Há dois anos, eram 308.

A cidade com a maior diferença proporcional é Severiano                                Melo (RN), que tem 6.482 eleitores registrados no TSE e 2.088                    habitantes, segundo estimativa do IBGE. O número de pessoas                         aptas a votar no município é mais de três vezes maior do que a                            quantidade de habitantes.

Outras três cidades de Pernambuco também estão na lista de                                municípios com mais eleitores que habitantes. São elas: Brejinho                         e Calumbi, no Sertão, e Sairé, no Agreste.

Em Brejinho, a população estimada é de 7.488 pessoas, segundo                          o IBGE. Dados do TSE apontam que o município tem 7.722 eleitores.

Em Calumbi, são 5.747 moradores e 6.154 eleitores. Já em Sairé,                         moram 9.764 pessoas e 10.683 podem votar.                                                          

Cumaru

Cumaru possui a maior diferença, em números absolutos, de                           eleitores a mais do que moradores, entre todas as cidades                    brasileiras. Ela é de 5.143 pessoas ou 150,46% o total da população.

A prefeita de Cumaru, Mariana Medeiros (PP), contesta os                               dados. Para ela, o problema começou com a realização de um                         censo, em 2000, que apontou uma quantidade muito maior de                    moradores do que "existiria na realidade, na época".

O levantamento feito no ano 2000 mostrou que a cidade                                  tinha 27.489 pessoas. Dez anos depois, no entanto, censo                       apresentou uma queda populacional. Em 2010, segundo IBGE,                    Cumaru, tinha 17.103 habitantes.

Desde 2010, a contagem populacional não é refeita de forma                        oficial na cidade nem em todo o país. O que existem são estimativas.                   É justamente esse levantamento feito pelo IBGE que é questionado                  pela gestora.

Segundo Medeiros, os números não representavam a realidade,                       em 2000. “Eu sou daqui, sempre morei aqui e a cidade nunca teve                   essa quantidade de habitantes, como disseram na época”, afirma.

Mariana Medeiros acredita que os números do censo de 2010 são os                    mais corretos. A diferença de mais de 10 mil habitantes, segundo ela,               teria criado uma "tendência de queda na população do município", o                       que ela diz não existir.                                                                                              “Eu procurei os responsáveis pelo IBGE. Sou daqui, sempre morei              aqui. A cidade só cresceu. A zona rural da cidade aumentou”, diz.                      “Se há 20 anos tinha mais gente que agora, onde estão as casas abandonadas?”, questiona.

Mariana acredita que não houve interesse em corrigir o "erro                  cometido" em 2000. “Naquela época, não tinha prestação de                      contas, internet, portal da transparência. Mal tinha telefone aqui”,                    completa.

“A cidade está pagando um preço alto por ter recebido um dinheiro                    que não merecia nos anos 2000. Hoje vivemos com metade do                        dinheiro”, diz, se referindo ao percentual de recursos repassados                      pelo governo federal aos municípios, que varia de acordo com a                  população e outros índices.

Para a gestora, a cidade tem muito mais que os 10 mil habitantes              estimados pelo IBGE. “Menos de 16 mil pessoas eu não tenho.                         Só no sistema de saúde nós temos 15.880 pessoas cadastradas”,               alega.

“Temos seis mil casas na cidade. Se morassem três pessoas por                           casa, já seriam 18 mil e moram muito mais que três pessoas em                  algumas casas”, completa.

A prefeita de Cumaru diz que há vários processos na Justiça para                   revisão da população. Porém, ela estima que só vai conseguir uma                    mudança com o próximo censo, previsto para 2022.                                                

Razões da diferença

De acordo com o diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de         Pernambuco (TRE-PE), Orson Lemos, a diferença acontece por                 causa da metodologia empregada na estimativa da população pelo                  IBGE e no cadastramento eleitoral feito pelos cartórios eleitorais,               principalmente em cidades com menos de 10 mil habitantes.

Segundo ele, deve ser levado em conta o fator de pessoas que                    moram em cidades maiores da região para trabalhar ou estudar,                       mas voltam para seus municípios de origem para votar.

“O censo do IBGE acontece a cada dez anos e vai usando uma                     ferramenta de estimativa de população, que pode ficar defasada                      em relação às políticas públicas da cidade. Nosso cadastro eleitoral                     utiliza comprovante de residência atualizado”, afirma Orson.                                  Para ele, o eleitorado é um retrato mais fiel dos movimentos                  populacionais do que os dados registrados pelo IBGE. "O IBGE                        faz o levantamento por amostragem”, completa.

Ainda de acordo com Orson Lemos, os vínculos familiares também               explicam essa diferença. O diretor-geral do tribunal diz que,                       mesmo morando em outra cidade, pessoas preferem voltar para                       seus locais de origem para escolher os candidatos, por causa de                 afinidade.

“A afinidade até o 3º grau de parentesco permite que o eleitor                              escolha onde quer votar. Muita gente aproveita as eleições para                      votar e visitar os avós, por exemplo. Eles têm direito. A lei permite”,                declara.

Para a cientista política Tereza Vasconcelos, a falta de atualização                   dos dados do censo é um grande problema para atualizar                      pesquisas em diversas áreas, como segurança pública e saúde.

“Os dados discrepantes e esse aumento das cidades com maior                 número de eleitores do que moradores no Brasil, tem relação                          com isso”, comenta. “Não deixa de ser perigoso, porque na hora                        de fiscalizar, as fraudes podem passar despercebidas devido a falta                    de segurança dos dados”, completa.

Para a especialista, existe também um fator histórico na diferença                        entre quem mora na cidade e quem vota nela.

“Aqui em Pernambuco, além da falta de atualização do censo e das            diferenças entre endereço civil e eleitoral, notei que todas essas cidades                   eram    distritos, até a década de 1960. As pessoas nessas regiões trabalham  nos municípios vizinhos e voltam para cidade                             apenas em no período   eleitoral”, avalia Tereza.

Datas

Este ano, o calendário das eleições foi adiado por causa da                  pandemia provocada pelo novo coronavírus: o primeiro turno                             acontece em 15 de novembro; e o segundo, em 29 de novembro,                     de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).                        

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