domingo, 29 de março de 2020

Em hospitais ou nas ruas, leia histórias de quem atua em áreas essenciais

Segundo o site https://www.correiobraziliense.com.brO Correio ouviu profissionais que atuam em funções essenciais para a população e não têm outra opção senão a de permanecer na linha de frente, em hospitais ou nas ruas, para garantir a prestação de serviços indispensáveis à população
                                                           O isolamento social necessário no combate à Covid-19 tem como exceção algumas áreas de atuação essenciais em que trabalhar de casa não é uma opção. Desempenham essas tarefas homens e mulheres que têm se esforçado dia e noite para garantir a oferta de serviços indispensáveis neste período de crise pandêmica: saúde, segurança, transporte, comunicação, além de comércios específicos.                                                                            Ao Correio, alguns desses profissionais contam como a rotina mudou e por que os cuidados se intensificaram. A preocupação com a saúde começa desde a saída para o expediente e continua na volta para casa.


O momento requer adaptações e mudança de hábitos, principalmente em nome da empatia e da solidariedade. Enquanto algumas pessoas não têm opção senão a de trabalhar sob constante risco de serem infectadas pelo coronavírus, você, se puder, permaneça em casa por elas.

Na limpeza da cidade

A função do gari Francisco Rodrigues Martins, 38 anos, envolve fazer o possível e o impossível para não se contaminar ou deixar que outras pessoas se contaminem. Das 7h às 14h, ele e uma colega varrem as ruas de Taguatinga. “Estamos tentando nos precaver. Também pedimos à população que, ao descartar materiais de uso pessoal, como máscaras, copos, luvas e seringas, coloquem esses itens em sacos separados, com identificação, para nos ajudar”, recomenda. Ao voltar para casa, antes de ir direto para o chuveiro, o ritual de Francisco também é metódico: tirar todo o uniforme, esterilizar as botas, além de lavar rosto, pernas e braços com água e sabão. Sem a possibilidade de fazer home office, ele pede que os brasileiros só deixem as residências quando extremamente necessário. “Tomem bastante cuidado. Se todo mundo estiver atento e fizer a própria parte, vamos vencer essa guerra.”                                                                                                                                        Correio Braziliense           


                     “É um momento difícil para todos, não só para a gente”, define o motorista de ônibus Francimar Saturnino de Barros, 33. A exposição ocorre diariamente durante o itinerário Riacho Fundo 2-W3 Sul e Norte. Ao longo de cinco horas, ele transporta passageiros para diferentes destinos. “Em cada viagem, há de cinco a oito idosos. E, neste período de pandemia, é meio complicado, pelo fato de eles serem mais vulneráveis”, conta. Mesmo com a queda de cerca de 260 passageiros para aproximadamente 15 a cada trajeto, Francimar toma atitudes preventivas. “Usamos álcool em gel constantemente e, no terminal, há uma equipe que higieniza os ônibus, enquanto vamos ao banheiro para lavar as mãos e seguir a jornada”, detalha. “É um momento delicado, complicado. Uma hora, a pandemia chegará mais forte aqui (no país), mas temos de lutar sempre e jamais desistir”, completa o motorista.
                                                                 Enquanto os coletivos estiverem circulando pelo Distrito Federal, a cobradora de ônibus Danielly Andrade, 29, não pode parar. Moradora de Samambaia Sul, ela comenta que faz parte de uma classe que é a última a dormir e a primeira a acordar. Por isso, pede a conscientização da população em nome de quem não pode ficar em casa com a família. “Meus filhos e minha avó estão com a minha mãe, pois temos de tomar medidas para nos prevenir. Trabalho mexendo com dinheiro, e sabemos que podemos nos contaminar (por meio dele)”, lembra. Apesar do número crescente de casos da Covid-19, Danielly pede que as pessoas não fiquem apavoradas diante da crise e que só saiam em caso de extrema necessidade. “Todos queremos trabalhar para que não haja um caos em Brasília, mas peço que a população tenha consciência. Assim, as pessoas que sabemos que não podem parar de trabalhar, podem continuar.” 
                                                                         Há 20 anos na função de socorrista, o sargento do Corpo de Bombeiros Alex Pereira Alves, 42, sabe da necessidade de se precaver. “Tem a preocupação de acabarmos nos contaminando e transmitindo (o coronavírus) para parentes. Fora isso, há a questão psicológica. Por mais que sejamos treinados para lidar com situações extremas, um cenário como esse acaba trazendo medo”, confessa. O militar não entra em casa fardado, retira o coturno ao chegar e coloca o uniforme direto na máquina de lavar. Para evitar riscos à saúde dos pais, que têm mais de 60 anos, Alex os levou para uma chácara da família. “A dica que posso dar como socorrista é o lockdown (isolamento). A letalidade (da doença), por menor que seja, pode tornar-se maior na medida em que hospitais não poderão mais atender a pessoas contaminadas por falta de respiradores e de estrutura física”, alerta o sargento.
                                                                     Ainda que uma parte da população esteja em quarentena, ocorrências policiais não deixam de acontecer. O tenente da Polícia Militar Leandro Almeida, 37, observa que, nas últimas semanas, houve queda em alguns tipos de registros na região onde ele atua, que inclui Taguatinga, Águas Claras e Vicente Pires. Enquanto roubos a comércio caíram, denúncias de perturbação do sossego de vizinhos subiram. Leandro considera a situação “bem complicada” e acredita que as pessoas devem fazer as atividades necessárias com o devido cuidado, especialmente se tiverem em casa pessoas com mais chances de desenvolver um quadro grave da Covid-19. “Mesmo que discordemos de algumas questões, quando seguimos orientações das autoridades competentes, podemos cobrar depois. Vamos nos atentar às informações que são oficiais e trabalhar com dados reais, não com aquilo que achamos”, destaca o militar. 
                                                                            É de entregas que o motoboy Alessandro da Conceição, 27, tira o próprio sustento. Nesta fase em que o serviço de delivery está em alta, o medo de quem trabalha no ramo aumentou. “Foi muito difícil achar produtos como álcool em gel. Não fui trabalhar por uma semana por causa disso, pois não tinha como fazer essa higienização das mãos”, relata. Nas ruas por mais de 12 horas diárias, ele entende a necessidade de trabalhar com itens de proteção individual. Mesmo assim, enfrenta perrengues. “Os clientes estão bem receosos. E, entre os motoboys, vejo muita aglomeração. Fico bastante preocupado”, desabafa. Cadastrado em três empresas de entrega, ele acredita que os motociclistas que atuam nessa área estão na linha de frente. “Temos de ver o que acontece na Itália, porque levaram (a Covid-19) na brincadeira e não acreditaram que era séria. No Brasil, temos de levar isso como exemplo. É muito importante que todos fiquem em casa.”
                                                                       É de entregas que o motoboy Alessandro da Conceição, 27, tira o próprio sustento. Nesta fase em que o serviço de delivery está em alta, o medo de quem trabalha no ramo aumentou. “Foi muito difícil achar produtos como álcool em gel. Não fui trabalhar por uma semana por causa disso, pois não tinha como fazer essa higienização das mãos”, relata. Nas ruas por mais de 12 horas diárias, ele entende a necessidade de trabalhar com itens de proteção individual. Mesmo assim, enfrenta perrengues. “Os clientes estão bem receosos. E, entre os motoboys, vejo muita aglomeração. Fico bastante preocupado”, desabafa. Cadastrado em três empresas de entrega, ele acredita que os motociclistas que atuam nessa área estão na linha de frente. “Temos de ver o que acontece na Itália, porque levaram (a Covid-19) na brincadeira e não acreditaram que era séria. No Brasil, temos de levar isso como exemplo. É muito importante que todos fiquem em casa.”
                                                                    Lidar com o excesso de dados durante uma pandemia é desafio dos jornalistas. Para Humberto Rezende, 46, um dos editores do site do Correio, este período culmina em duas principais preocupações: informar sem deixar as pessoas em pânico e, ao mesmo tempo, manter a população ciente da gravidade que o momento representa. “A cada nova matéria, temos de nos fazer essa pergunta: estou cumprindo meu papel de informar o que as pessoas precisam saber?”, diz. Atualmente, o principal desafio tem sido lidar com o fato de parte dos funcionários trabalhar em home office. “A redação sempre foi um espaço de muita troca de experiências, que ajuda a pensar em pautas. Sinto falta disso. O jornalismo tem muito debate. Como é uma profissão com responsabilidade muito grande do que você vai publicar ou de como vai apresentar determinada história, conversar, dialogar e pensar com os colegas é muito importante.”
                                                Independentemente da área em que atuam, os funcionários da Polícia Civil estão de sobreaviso. É o caso da delegada Anie Rampon Barretto, 41, que não pode trabalhar em regime de home office. Ela considera que o cenário é de incerteza em relação às consequências que o vírus pode causar e, por isso, ressalta a necessidade de a população seguir as orientações do poder público. “Há decretos determinando o que pode ou não ser feito e normas sanitárias que temos de seguir, independentemente de opinião sobre o tema. E não segui-las pode constituir crime de desobediência ou contra a integridade física ou às vidas de outras pessoas”, reforça a delegada. “É importante também nos atentarmos a eventuais perturbações nas residências vizinhas. É um momento em que as pessoas mais vulneráveis ficam mais expostas a riscos. Não fechem os ouvidos. Saibam que a polícia continua trabalhando e pode ser acionada.”
                                                                 Donos de uma drogaria no P Sul, em Ceilândia, o comerciante Francisco de Souza Loiola, 58, e a farmacêutica Idalice Pozzebom, 34, resolveram isolar a área interna da loja, para que os clientes mantivessem distância e para que os idosos evitassem parar para conversar. “A maioria é bem carente para conversar e quase não tem companhia. Tentamos explicar para eles e, com o tempo, vão entendendo”, diz Idalice. A higienização do ambiente aumentou e o serviço de entregas mudou. Agora, os dois levam os produtos às casas, devidamente paramentados. “Vou de carro, luva, máscara e fico longe. Levo a máquina do cartão dentro de uma sacola e o cliente só digita a senha”, conta Francisco. “Falta conscientização. Com todo mundo na rua, o sistema de saúde não vai suportar, não terão leitos suficientes para atender a quem se contaminar, por isso é importante o isolamento social”, completou Idalice.
                                                               “Temos de ter cuidado o tempo todo”, resume a vigilante Claudiane da Costa, 46. No Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), onde atua, ela se preocupa com o aumento da movimentação de pessoas. “Estamos orientando colegas a passar álcool em gel nas mãos e providenciando kits de higiene e proteção individual. Mas o vigilante é a porta de entrada da unidade de saúde. Temos contato com pacientes e com quem trabalha na área da saúde também. Um depende do outro”, comenta. O recado de Claudiane é o mesmo para familiares, amigos e para quem frequenta o HBRz: “Meu pedido é para que as pessoas vão apenas em casos de urgência, risco de morte. Tem muita gente que aparece para visitas, e isso não é legal neste momento, para a própria pessoa e para os pacientes. Para nós, que trabalhamos na área da saúde, é melhor que as pessoas fiquem em casa até este momento passar. Isso nos ajuda muito.”








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