quarta-feira, 6 de março de 2019

Campeã, Mancha Verde é 'nova rica' em meio a crise das grandes tradicionais

Segundo o site https://gauchazh.clicrbs.com.br: SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Antes que a Mancha Verde entrasse na avenida do Anhembi, no sábado (2), seu presidente, Paulo Serdan, disse que ninguém tiraria o título da escola desta vez. E ele estava certo. Com posições cada vez melhores nos últimos anos, a Mancha conseguiu seu primeiro título do Carnaval em 2019.
Comemoração da Mancha Verde, campeã do Carnaval de São Paulo - Ricardo Matsukawa/UOL                                                                                                                                          A melhora gradual de desempenho pode ser entendida, em grande parte, a partir da ajuda financeira que passou a receber da Crefisa, patrocinadora do Palmeiras. A escola é uma extensão da torcida organizada do clube.                                                                                                                                                                  O dinheiro doado para a organizada faz parte da estratégia da dona da Crefisa, Leila Pereira, de conseguir apoio na política do Palmeiras.

Para efeito de comparação, a Prefeitura de São Paulo repassou R$ 1,18 milhão para cada escola do Grupo Especial, ou seja, menos da metade do que a Mancha recebeu da patrocinadora palmeirense. 
Por outro lado, o rebaixamento inédito da Vai-Vai para o Grupo de Acesso não é evento isolado. Três das quatro mais tradicionais escolas já estão nele em São Paulo: Peruche, Camisa Verde e Branco e Nenê de Vila Matilde. Elas podem voltar ao Especial após apuração de suas notas nesta terça-feira (5).
No caso da Mancha Verde, a relação de Leila Pereira com a escola é tão próxima atualmente que a quadra da escola de samba passou a se chamar "arena José Roberto Lamacchia [marido de Leila, dono da Crefisa e também conselheiro do Palmeiras] & Leila Pereira".
Em anos anteriores a escola chegou a pensar um carro alegórico sobre Byron, o cachorro de Leila que aparece nos comerciais da Crefisa, mas a homenagem foi dispensada pelo casal.
Entre 2013 e 2015, anos que antecederam o apoio da Crefisa, a escola oscilou entre as últimas colocações no Grupo Especial e as primeiras do Grupo de Acesso. Após o começo da ajuda, a escola conseguiu ser campeã do Grupo de Acesso (2016), 10ª colocada (2017), 3ª colocada (2018) e, enfim, campeã.
No desfile deste ano, a escola usou o enredo "Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra" para contar a história da princesa africana Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, e, por meio dela, discutir escravidão, intolerância religiosa e direitos humanos.
Para este ano, contratou o renomado carnavalesco Jorge Freitas, que já tinha quatro títulos do Grupo Especial.
A Mancha Verde apostou em fantasias com texturas que remetiam à tradição africana, com cores arenosas e terrosas e padrões de pele de onça e de tigre. Máscaras africanas despontaram de todos os lugares. A riqueza de detalhes foi um ponto forte.
Uma das alas mais impressionantes do desfile contava com passistas grávidas com mãos acorrentadas, em uma representação de escravas usadas para reprodução.
O enorme abre-alas, com dois acoplamentos, apareceu com elefantes e bustos de mulheres negras. Bastante colorido, foi um dos pontos altos do desfile.

O último carro mostrava um grande busto dourado de Zumbi dos Palmares, feito de ferro, que será doado ao Museu Afro Brasil.            

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