sábado, 24 de março de 2018

Praia do Pina é tomada por cruzes simbolizando assassinatos em Pernambuco, durante 2018

Segundo o site https://g1.globo.com/pe/pernambuco: Segundo números oficiais, 867 pessoas foram mortas em janeiro e fevereiro.Mil cruzes fincadas na praia representam mortos em Pernambuco, durante 2018 (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)Praia do Pina, na Zona Sul do Recife, foi tomada por cruzes de madeira, fincadas na areia da orla, neste sábado (24). A ação é um protesto realizado pelo Movimento PE de Paz, cobrando transparência do governo do estado na divulgação dos índices da violência. O ato “Pernambuco Chora Sangue” reuniu representantes de 40 igrejas e organizações sociais cristãs.                     De acordo com os organizadores, foram fincadas mil cruzes na orla, representando o número de pessoas assassinadas no estado, em 2018. Os dois últimos levantamentos divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) contabilizaram 451 mortes violentas em janeiro e 416 casos em fevereiro, totalizando 867 homicídios oficialmente registrados. O índice de março deve ser divulgado no dia 15 de abril.
Durante o protesto, integrantes do movimento entregaram um manifesto à população, promoveram denúncias por meio de discursos e performances teatrais e musicais e, ainda, momentos de vigília e oração pela paz no Recife e no país.Mobilização na Zona Sul do Recife denuncia morte da população negra, em Pernambuco (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)Mobilização na Zona Sul do Recife denuncia morte da população negra, em Pernambuco (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)
Uma das organizadoras do evento, Ailse Moreira cobrou do governo a mudança na metodologia da divulgação dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), pedindo o retorno da divulgação mais detalhada dos crimes. Para ela, é também preciso promover alternativas aos jovens que moram na periferia, para que, consequentemente, os índices de violência no estado diminuam.
"Temos questionado há um ano a falta de diálogo do govermo do estado com a sociedade civil. Isso não só em termos institucionais, mas também na falta de transparência na divulgação dos dados da violência. Temos dados que foram suprimidos daquilo que precisamos para contribuir na prevenção. Precisamos saber, por exemplo, quem são as pessoas que estão morrendo, por que elas estão morrendo, qual idade e lugar. Assim, podemos pensar em ações, dentro do âmbito de atuação das igrejas, de prevenção à violência", explicou.Ato na Praia do Pina, no Recife, pede transparência na divulgação dos índices de violência em Pernambuco (Foto: Marlon Costa/Pernambuco)Ato na Praia do Pina, no Recife, pede transparência na divulgação dos índices de violência em Pernambuco (Foto: Marlon Costa/Pernambuco)
Em nota, a SDS informou que, em 2017, “2,5 mil homicidas foram capturados pelas polícias” e, desde setembro de 2017, “desde setembro de 2017, o efetivo das polícias começou a receber uma série de reforços, totalizando 6 mil servidores incorporados às polícias Militar, Civil e Científica, como também ao Corpo de Bombeiros Militar”.
Sobre a divulgação dos dados de crimes em Pernambuco, o órgão afirmou que “ampliou o banco de estatística para consulta pública em seu site, dando maior transparência à divulgação de dados e informações sobre a segurança pública”.
A nota diz, ainda, que "são colocados à disposição de toda a sociedade não apenas números de homicídios, como era feito anteriormente, mas também as motivações e locais das ocorrências, além de dados sobre as diversas modalidades de crimes contra o patrimônio, violência doméstica e estupro".

Violência em Pernambuco

De acordo com levantamento exclusivo do G1, no projeto Monitor da Violência, Pernambuco teve, em 2017, a terceira pior taxa de homicídios registrada em todo o Brasil. Com 57,3 CVLIs a cada 100 mil habitantes, o estado fica atrás apenas do Rio Grande do Norte, cujo índice chegou a 64, e para o Acre, que atingiu 63,9 casos.
O número de homicídios registrado em Pernambuco é 21,1% maior do que os 4.479 assassinatos contabilizados em 2016. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, seguindo a tendência de aumento na violência no estado, também saltou. Em 2016, o índice era de 47,3 casos.

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