O preconceito da vereadora Eleonora Briolo contra os nordestinos. Eis o exemplo da ignorância e da burrice!

Segundo o site http://www.cadaminuto.com.br: Leio na imprensa que a vereadora Eleonora Broilo (PMDB/Farroupilha) externou – em uma sessão pública – todo o seu preconceito contra nordestinos. Pelo posto na imprensa, uma ignorante. Pessoas boas e pessoas más existem em todos os lugares, profissões e convicções ideológicas. Todavia, a generalização é a mostra viva da intolerância, do preconceito e da mais profunda ignorância. A senhora Broilo não só não conhece nada do Nordeste, de sua história e de seus grandes homens, como perdeu uma excelente oportunidade de ficar calada e não cometer crime.A pergunta que faço agora é: onde se encontra o Ministério Público Federal (MPF) para processá-la diante das declarações estapafúrdias contra um povo que em sua história tem homens como Tavares Bastos, que foi político e apresentou ao país uma obra visionária. Se ouvido lá atrás, Tavares Bastos tinha muito conselhos a dar sobre a descentralização deste país e desenvolvimento. Mais ainda é tempo de ouvi-lo em obras como A Província e Cartas ao Solitário, que com toda certeza Eleonora Broilo desconhece. Afinal, se mostra incapaz de um debate sobre corrupção neste país ao generalizar os nordestinos de forma tão rude.
O preconceito nos torna incapaz de aprender com o diferente.
Broilo não entende que o grande câncer deste país é um estamento burocrático, plutocrático e cleptocrático do qual o partido dela faz parte e, nem por isto, todos os peemedebistas devem ser generalizados. Tal estamento atingiu seu auge diante de um esquema de corrupção institucionalizado que teve como “ícone” dois presidentes: Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). O que não quer dizer que – lá atrás – o senhor ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não tenha tido sua culpa, bem como outros que o antecederam, como mostra tão bem o gaúcho Raimundo Faoro na obra Os Donos do Poder. Será que ela conhece este? É da terra dela.
Mas, Briolo – do alto de sua incapacidade cognitiva para compreender a realidade – também deve desconhecer. Este é o preparo dos nossos políticos iletrados, que destilam ódio e generalizações em frases de efeitos. São burros! E a burrice é infinita.
Eu posso ter dúvidas a respeito do infinito do universo, mas jamais da burrice. Os responsáveis pela situação em que nos encontramos não são o que são por serem desta ou daquela região, mas por serem vis, traidores, desonestos, verdadeiros pulhas que devem ser punidos nos ditames da lei.
Dito isto, Eleonora Briolo poderia – ao invés de falar bobagens – estudar. Que ela um dia possa passear pela obra de Ariano Suassuna para ter a dimensão da cultura nordestina, para conhecer os muitos homens que – apesar das adversidades – conseguem o sustento com o suor do rosto, sem estarem pendurados nos banquetes estatais, ganhando muito para fazer muito pouco, como é o caso da maioria dos parlamentares – da vereança ao Senado – deste país. Políticos estes que, além de receberem muito para o que fazem, invertendo a lógica do custo-benefício, ainda possuem suas campanhas bancadas pelo fundo partidário.
E maioria do povo nordestino – honesto, trabalhador, empreendedor apesar das dificuldades – ajuda a pagar esta conta ao mesmo tempo em quem sofre diante de um pacto federativo mesquinho que concentra recursos na União e impede que muitos municípios, que é onde efetivamente as pessoas moram, tenham independência financeira, político e administrativa. É o que penaliza várias cidades nordestinas e outras em outras regiões do país.
Porém, talvez a vereadora em questão desconheça o que é pacto federativo, a necessidade de repensar o Estado para garantir maiores liberdades individuais para que homens de fato livre possam gerar riquezas neste país, nos mais diversos âmbitos, inclusive a riqueza cultural. No caso do Nordeste, mesmo sendo eu suspeito a falar, digo: uma das mais belas do mundo.
Senhora Eleonora, pode pegar qualquer área do conhecimento e se lá não tiver um nordestino servindo como exemplo de honestidade, integridade e competência, eu rasgo o meu diploma de jornalista. Conheça a obra – por exemplo – do professor Francisco Reinaldo Amorim de Barros, o ABC das Alagoas. Lá, podem ser encontrados homens e mulheres, transformados em verbete, que muito contribuíram para o país com suas ideias, nos mais variados campos do saber. Todos alagoanos. Por consequência, nordestinos.
Entre os mais famosos, Pontes de Miranda que ao apresentar sua teoria traz pontos que podem ser comparados – pela grandeza das ideias e aporte ao mundo jurídico e da ciência política – a pensadores como Eric Voegelin. Sei que corro o risco da senhora Eleonora – do alto de sua ignorância – não conhecer nem um, nem o outro.
A senhora – pelas declarações dadas – não é digna do mandato que ocupa. Mas, políticos indignos neste país não é exceção. Agora, mesmo assim, não tenho o direito de generalizar.
E pode ter certeza, senhora vereadora, que se a agressão fosse aos gaúchos, eu iria defendê-los. É que Eleonora Briolo não representa o que de belo há em sua região, que possui homens da grandeza de um Moacyr Scliar, de um Mário Quintana, de um Luis Carlos Borges, de um Teixerinha. Enfim, vários que vão da cultura popular à clássica. É claro que também existem os maus gaúchos, assim como existem os maus nordestinos. Mas não culpo os gaúchos pelas mazelas de um Getúlio Vargas, que teve flertes com o fascismo. Culpo o senhor Vargas, pois ele seria o que seria independente de onde tivesse nascido.
Todavia, orgulho-me de ser brasileiro e de neste país se encontrar o Rio Grande do Sul com tanta beleza a nos ofertar tantos bons homens que defenderam suas raízes, como na canção Percorrendo o Rio Grande. E defender sua terra, carregá-la em seu coração, não é ofender as demais. Eu carrego a pequena cidade de Mata Grande, no Sertão das Alagoas, no peito.
Estes homens gaúchos devem orgulhar o solo sulista, mas Eleonora Briolo, não. Ela é digna apenas de desprezo e pena.
Orgulho-me ainda de ser nordestino e de encontrar em minha terra homens que me servem de inspiração, como é o caso de Tavares Bastos. Leio a sua obra e me encanto. Pois, nascido na Europa teria a dimensão de um Edmund Burke na discussão das ideias políticas, apesar de aqui e ali serem pensamentos contraditórios, mas falo da excelência com que debatiam e viviam o que debatiam. Coisa que políticos como Briolo nunca saberão o que é. Políticos assim podem morrer e reencarnar mil vezes que nunca tangenciaram algo tão nobre, pois estão presos à sua própria mesquinhez, e caso não se libertem disso serão que são: exemplos do que não se deve ser jamais.
“Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar”. É frase desta criatura que alcançou um espaço em uma Câmara de Vereadores, segundo a imprensa. “Sabem se unir para ganhar propina”, complementa.
Quanta ignorância! Por sorte temos a História a dar na cara de Eleonora Briolo. Uma História que registra os homens que são invisíveis para os políticos hipócritas, mas que são reais e estão a dar o exemplo todos os dias pelo país afora – independente de se no Nordeste, no Sul, Sudeste, Norte ou Centro-oeste - ao acordar cedo, ao trabalharem diuturnamente sem roubar nada de ninguém e assim construírem seus patrimônios (independente dos tamanhos deste), mesmo sufocados em impostos e leis absurdas que só privilegiam o establishment do qual a vereadora faz parte por mais que ela não roube, pois não sei se é honesta ou desonesta do ponto de vista material. Torço para que seja honesta e que seja apenas burrice mesmo. O que sei é que foi ignorante ao extremo na declaração dada.
Grande parte destes brasileiros estão no Nordeste. E nesta região, estão em regiões onde desafiam as condições sócio-ambientais, como a seca, mas dão exemplo de perseverança sem perder a fé, a humildade e sem abrir mão de valores como a honestidade. O homem simples do Sertão tem mais a dizer ao mundo que Eleonoras da vida. Mas, infelizmente eles não possuem tribunas, pois são ignorados. Todavia, para quem tem olhos, são exemplos que falam alto, que gritam, que dão lições, que mostram que Eleonora Briolo foi desprezível e deve responder pelo que disse.
Espero de coração que o caso de Eleonora tenha solução. Parte da vacina vem por meio de livros e estudos. A outra parte, evidentemente, depende de sua capacidade cognitiva compreender a sua própria miséria intelectual e moral neste episódio e assim se reerguer por meio de um pedido de desculpas honesto e sincero a um povo que tem, em sua História, grandes intelectuais, homens de bem, pessoas simples e moralmente superiores, que desprezam políticos desonestos e corruptos, sejam eles nordestinos ou não e por aí vai...
Senhora Eleonora Briolo, seu preconceito é uma doença que apequena a sua alma. É como diz Albert Einstein: “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Que Eleonora Briolo possa aprender com Machado de Assis: “O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão”. Que um dia ela possa se deliciar com Graciliano Ramos; não apenas o da Literatura, mas o político que prestou contas a próprio punho como exemplo de honestidade.
Afinal, como diz o pensador Henry David Thoreau, “nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos”. Porém, é preciso muito cuidado, senhora Eleonora Briolo, para não cair na visão de George Bernard Shaw: “não tenho preconceitos, odeio a todos igualmente”. Lembre-se de Martin Luther King que, ao dizer que tinha um sonho, complementou afirmando que era o de que as pessoas fossem julgadas por suas personalidades, pelo que são e não por outros motivos.
É que já nos ensinava Mark Twain ao dizer que basta saber que o homem é um ser humano para que ele seja respeitado, mas também para que saibamos que dele pode vir o melhor ou o pior. Afinal, depende do caráter e não do local de origem.
Estou no twitter: @lulavilar

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