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Morador de rua tem colchões e papelões retirados por GCM

14 de junho de 2016

/ by visao surubim
SÃO PAULO - Após o dia mais frio registrado na capital paulista em 22 anos, com 3,5°C de temperatura mínima, moradores de rua reclamaram de ter colchões e papelões, usados como proteção,ctv-omy-friofrio: Padre reclama do fechamento de vagas de acolhida emergenciaisMoradores de rua tentam se agasalhar como podem para enfrentam o frio de 9ºC na região central da capital paulista                               levados por agentes da Guarda Civil Metropolitana. A GCM admitiu a retirada de itens, mas afirmou que deixa objetos pessoais, e a ação é para evitar que a população de rua “privatize” espaços públicos, como calçadas. Nesta segunda-feira, 13,mais um homem foi achado morto na rua, na região central.A cidade de São Paulo registrou a menor temperatura dos últimos 12 anosA cidade de São Paulo registrou a menor temperatura dos últimos 12 anos                                                                 A Pastoral do Povo de Rua, pertencente à Igreja Católica, afirma que pelo menos cinco pessoas já morreram na capital por causa do frio - a Prefeitura não confirma. Nesta segunda-feira, um morto foi achado na Rua Amazonas, no Bom Retiro, por volta das 14 horas. Mais duas vítimas foram encontradas no domingo, 12, no bairro de Santana, zona norte. Nenhum deles foi identificado até o fim da noite desta segunda-feira.Na manhã de segunda-feira, 13 de junho, segundo medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a temperatura média da cidade atingiu 3,6ºCNa manhã de segunda-feira, 13 de junho, segundo medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a temperatura média da cidade atingiu 3,6ºC
Padre reclama do fechamento de vagas de acolhida emergenciais
Werther Santana / EstadãoDe acordo com o CGE, a massa de ar frio de origem polar vai manter o tempo seco e ensolarado nos próximos dias, com noites e madrugadas de céu claro e acentuada queda das temperaturasDe acordo com o CGE, a massa de ar frio de origem polar vai manter o tempo seco e ensolarado nos próximos dias, com noites e madrugadas de céu claro e acentuada queda das temperaturasGramado ficou coberto de gelo na Avenida Miguel Estéfano, na zona sul de São PauloGramado ficou coberto de gelo na Avenida Miguel Estéfano, na zona sul de São Paulo                       Anteriormente, haviam sido relatados os óbitos de Adilson Roberto Justino, achado morto na calçada da Avenida Paulista (região central) no domingo, e João Carlos Rodrigues, de 55 anos, encontrado por seguranças do Metrô na Estação Belém (zona leste), na sexta-feira, 10.  Na Capela do Socorro, também na zona sul da capital paulista, o termômetro chegou a registrar 0ºC no início da manhã  Na Capela do Socorro, também na zona sul da capital paulista, o termômetro chegou a registrar 0ºC no início da manhã                                       O comandante da GCM, inspetor Gilson Menezes, disse que seus agentes apoiam as ações das subprefeituras para evitar a permanência de barracas nas ruas da cidade e, por isso, retiram papelões. “Damos auxílio nesse trabalho de remoção de material inservível. E são retirados os colchões, realmente. É para tirar moradias precárias. A ideia de retirar os colchões é evitar que o espaço público seja privatizado. Porque existe também uma demanda de reclamações de muitos cidadãos, que dizem que, muitas vezes, têm de andar no leito carroçável (a rua) porque têm dificuldade de caminhar pela calçada”, afirmou o comandante.  Antes da segunda-feira, 13 de junho de 2016, as menores temperaturas apontadas pelo CGE tinham ocorrido em 2011, quando houve média de 4,6ºC na cidade e 2,3ºC em Parelheiros, na zona sulAntes da segunda-feira, 13 de junho de 2016, as menores temperaturas apontadas pelo CGE tinham ocorrido em 2011, quando houve média de 4,6ºC na cidade e 2,3ºC em Parelheiros, na zona sul                                       Menezes, por outro lado, disse que há duas normas internas da GCM que regulamentam a remoção do material e vetam expressamente a retirada de cobertores. “Isso seria condenável, ainda mais nesses dias frios”, afirmou.
“Nenhum morador de rua é importunado à noite na cidade de São Paulo. Ao contrário, o trabalho da GCM no período noturno é orientar as pessoas a procurar um abrigo e, caso solicitem, auxiliar no encaminhamento dessa população”, garantiu o chefe da Guarda. Ele reconheceu, no entanto, que os guardas-civis, pelas manhãs, auxiliam agentes das subprefeituras em um trabalho de “reorganização do espaço público”.Na Avenida Professor Celestino Bourroul, no Limão, zona norte da capital paulista, o dia amanheceu com os termômetros marcando 6ºCNa Avenida Professor Celestino Bourroul, no Limão, zona norte da capital paulista, o dia amanheceu com os termômetros marcando 6ºC
Frio. Alvo dessas operações, os moradores de rua afirmam que tudo o que juntaram para escapar do frio é levado pelos guardas, incluindo as proteções de papelão. “Eles passam aqui às 7 horas. O que a gente ainda não guardou, eles levam”, contou a moradora de rua Sara Patrícia, de 49 anos, que vive na Praça 14 Bis, no Bexiga, região central. Dona de cinco cães e quatro gatos, a moradora afirmou que não teria com quem deixar seus animais de estimação caso fosse para os abrigos municipais.Pedestres enfrentam manhã de frio na região central da capital paulistaPedestres enfrentam manhã de frio na região central da capital paulista
Ainda na praça, outro morador de rua, João da Luz, de 60 anos, disse que, há duas semanas, seus papelões, madeira e cobertores foram levados. “Já arrumei outros, mas agora deixo em um bar aqui perto.”
Na zona leste, a também moradora de rua Ana Paula de Jesus Souza, de 37 anos, relatou que teve cobertores, roupas e até documentos e remédios levados por guardas. “Estava tudo no meu carrinho. Tinha comida, remédio, ração para os cachorros”, reclamou.Os paulistanos não economizaram nos agasalhos para enfrentar o frioOs paulistanos não economizaram nos agasalhos para enfrentar o frio
Após o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, postar um vídeo no Facebook sobre o caso e cobrar explicações do prefeito Fernando Haddad (PT), ela afirmou que o material foi devolvido. Nesta segunda-feira, sem meias e enrolada em três edredons sujos, ela tossia enquanto explicava por que não queria ir para abrigos. “Lá, tenho de acordar muito cedo e não consigo caminhar de volta para cá por causa da artrose.”Paulistanos sofreram na região central da capital paulista enquanto esperavam a chegada do ônibus para ir ao trabalhoTEMPERATURAS BAIXAS Paulistanos sofreram na região central da capital paulista enquanto esperavam a chegada do ônibus para ir ao trabalho
Na periferia. Já Lancellotti reclamou do fechamento de vagas de acolhida emergenciais nas áreas centrais, transferidas para bairros mais afastados. Ele citou um abrigo que funcionou até o ano passado sob o Viaduto Guadalajara, no Belenzinho. O Estado visitou o local nesta segunda-feira e encontrou famílias desalojadas de outras ocupações. O espaço, da Prefeitura, foi cedido à Igreja Católica por 99 anos.Confira dicas para manter a saúde em dia durante o tempo frioTEMPERATURAS BAIXAS Confira dicas para manter a saúde em dia durante o tempo frio
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer, afirma que chegou a negociar com a Pastoral da Rua o uso do espaço como abrigo neste inverno, e não conseguiu - por causa da invasão. “O abrigamento da população de rua embaixo de viadutos não está de acordo com a política nacional”, ressaltou a secretária. Ela afirmou ainda que a Prefeitura abriu 1.517 vagas de emergência nos abrigos e a descentralização é uma demanda do Comitê para a População de Rua.Na zona rural, a geada queimou as folhas de uma vasta plantação de abóbora cabotiã, na Fazenda Boa VistaFRIO NO INTERIORNa zona rural, a geada queimou as folhas de uma vasta plantação de abóbora cabotiã, na Fazenda Boa VistaO bóia-fria Sebastião Pires, 55 anos, reativou o fogão de lenha improvisado num tambor metálico que, além de cozinhar o almoço, funciona como um aquecedor.O bóia-fria Sebastião Pires, 55 anos, reativou o fogão de lenha improvisado num tambor metálico que, além de cozinhar o almoço, funciona como um aquecedor.A temperatura foi a a mais baixadesde que o serviço de meteorologia começou a funcionar na cidade, em 2007A temperatura foi a a mais baixadesde que o serviço de meteorologia começou a funcionar na cidade, em 2007
Próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas devem subir um pouco nesta semana: com mínima de 11ºC nesta quarta-feira, 15, e 12° C na quinta-feira, 16. / COLABOROU FÁBIO DE CASTRO

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