Padre reclama do fechamento de vagas de acolhida emergenciais
Werther Santana / Estadão
“Nenhum morador de rua é importunado à noite na cidade de São Paulo. Ao contrário, o trabalho da GCM no período noturno é orientar as pessoas a procurar um abrigo e, caso solicitem, auxiliar no encaminhamento dessa população”, garantiu o chefe da Guarda. Ele reconheceu, no entanto, que os guardas-civis, pelas manhãs, auxiliam agentes das subprefeituras em um trabalho de “reorganização do espaço público”.
Na Avenida Professor Celestino Bourroul, no Limão, zona norte da capital paulista, o dia amanheceu com os termômetros marcando 6ºC
Frio. Alvo dessas operações, os moradores de rua afirmam que tudo o que juntaram para escapar do frio é levado pelos guardas, incluindo as proteções de papelão. “Eles passam aqui às 7 horas. O que a gente ainda não guardou, eles levam”, contou a moradora de rua Sara Patrícia, de 49 anos, que vive na Praça 14 Bis, no Bexiga, região central. Dona de cinco cães e quatro gatos, a moradora afirmou que não teria com quem deixar seus animais de estimação caso fosse para os abrigos municipais.
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Ainda na praça, outro morador de rua, João da Luz, de 60 anos, disse que, há duas semanas, seus papelões, madeira e cobertores foram levados. “Já arrumei outros, mas agora deixo em um bar aqui perto.”
Na zona leste, a também moradora de rua Ana Paula de Jesus Souza, de 37 anos, relatou que teve cobertores, roupas e até documentos e remédios levados por guardas. “Estava tudo no meu carrinho. Tinha comida, remédio, ração para os cachorros”, reclamou.
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Após o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, postar um vídeo no Facebook sobre o caso e cobrar explicações do prefeito Fernando Haddad (PT), ela afirmou que o material foi devolvido. Nesta segunda-feira, sem meias e enrolada em três edredons sujos, ela tossia enquanto explicava por que não queria ir para abrigos. “Lá, tenho de acordar muito cedo e não consigo caminhar de volta para cá por causa da artrose.”
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Na periferia. Já Lancellotti reclamou do fechamento de vagas de acolhida emergenciais nas áreas centrais, transferidas para bairros mais afastados. Ele citou um abrigo que funcionou até o ano passado sob o Viaduto Guadalajara, no Belenzinho. O Estado visitou o local nesta segunda-feira e encontrou famílias desalojadas de outras ocupações. O espaço, da Prefeitura, foi cedido à Igreja Católica por 99 anos.
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A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer, afirma que chegou a negociar com a Pastoral da Rua o uso do espaço como abrigo neste inverno, e não conseguiu - por causa da invasão. “O abrigamento da população de rua embaixo de viadutos não está de acordo com a política nacional”, ressaltou a secretária. Ela afirmou ainda que a Prefeitura abriu 1.517 vagas de emergência nos abrigos e a descentralização é uma demanda do Comitê para a População de Rua.
FRIO NO INTERIORNa zona rural, a geada queimou as folhas de uma vasta plantação de abóbora cabotiã, na Fazenda Boa Vista
O bóia-fria Sebastião Pires, 55 anos, reativou o fogão de lenha improvisado num tambor metálico que, além de cozinhar o almoço, funciona como um aquecedor.
A temperatura foi a a mais baixadesde que o serviço de meteorologia começou a funcionar na cidade, em 2007
Próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas devem subir um pouco nesta semana: com mínima de 11ºC nesta quarta-feira, 15, e 12° C na quinta-feira, 16. / COLABOROU FÁBIO DE CASTRO
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