quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Homem que estava brincando com filho em praça é agredido por guardas e prefeitura de Camaragibe pede desculpas; veja vídeo

 Segundo o site https://g1.globo.com/pe/pernambuco: Imagens provocaram revolta nas redes sociais. Segundo administração, decreto proíbe permanência em locais públicos após as 22h, por causa da pandemia                              Eule foi agredido por guardas municipais de Camaragibe, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsAppUm homem de 38 anos, que estava em uma praça brincando com o filho, foi agredido em uma abordagem da Guarda Municipal de Camaragibe, no Grande Recife. O caso foi filmado e causou revolta nas redes sociais, em virtude da violência dos agentes. A prefeitura pediu desculpas e disse que decreto proíbe pessoas em áreas públicas, após 22h, por causa da pandemia.

Videos enviados para o WhatsApp da TV Globo mostram o momento              em que agentes da Romu, uma das brigadas da Guarda Municipal de Camaragibe, imobilizam Eule Ferreira da Silva. O excesso de violência           dos agentes revoltou a população. Durante a ação da Guarda, o rapaz    chegou a sangrar.

Nesta quarta (19), Eule contou que estava brincando com o filho, por             volta das 22h de terça (18), na Praça da Coimbral, quando foi                abordado com truculência pela Guarda Municipal.

"Eu tinha acabado de chegar do trabalho,                  estava na praça com meu filho, brincando               do skate. Era a hora que tinha para brincar                com o meu filho. Foi quando eles chegaram, disseram que era aglomeração, me            machucaram, passei a maior humilhação                 na frente do meu filho, que tem 11 anos. Eles queriam me levar para a delegacia, mas as             pessoas que estavam perto foram lá falaram            que isso não pode acontecer. Queriam que              eu fosse embora, que o meu filho podia ficar.         Um menino de 11 anos, ficar sozinho na             praça a noite", afirmou.                                                  
A vítima contou que prestou queixa na Delegacia de Camaragibe. Na tarde desta quarta, Eule passou por um exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no Centro do Recife. "Isso não pode acontecer com um cidadão de bem. Eu sou trabalhador", afirmou.                                                       A vítima admitiu que resistiu quando recebeu voz de prisão dos guardas, porque ficou indignado. Ele explicou que estava sentado num banco, enquanto o filho, de 11 anos, andava de skate.                                                                        Esse vídeo gravado pelos guardas municipais, antes da prisão, mostra Eule xingando os agentes. No entanto, o chefe de gabinete da prefeitura de Camaragibe, Anderson Fernandes, admitiu que houve excesso por partes da guarda.                                                                                                                    "A gente pede desculpas a Eudes pelo ato, a gente coloca à disposição a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Assistência Social, tudo o que ele precisar nós estamos à disposição. Nós estamos apurando, nós iremos punir de acordo com o que dizem as leis municipais, o regimento da Guarda, todos os envolvidos por causa do excesso que aconteceu. Abrimos um processo administrativo que precisa garantir o amplo direito de defesa, que é constitucional", afirmou.    Agredido por guardas municipais, Eule denunciou excessos à polícia — Foto: Reprodução/TV Globo 

Justificativa

Segundo a prefeitura, a repressão a Eule ocorreu devido a um decreto  municipal que proíbe a permanência em espaços públicos como praças                e parques, após as 22h, por causa da pandemia.

G1 solicitou à prefeitura uma cópia desse decreto, já que ele não foi  publicado no site da gestão municipal, mas não recebeu o documento                    até a última atualização desta reportagem.

"A cada decreto do governo do estado, emitimos um novo para atender                    à realidade do município. O último decreto estadual foi de 6 de agosto             e nós, prontamente, fizemos um próprio, no mesmo dia. A gente coloca o fechamento dos espaços públicos. Isso se dá porque a maioria dos bares               está nas proximidades desses espaços e percebemos que fechar os                   bares não estava resolvendo, porque as pessoas continuavam fazendo aglomeração nesses espaços", afirmou Anderson.

Nesta quarta, a presidência da Câmara de Vereadores de Camaragibe                 informou que não foi aprovada nenhuma lei sobre proibição de                  permanência de pessoas em áreas públicas, após as 22h.

Lesões

Eule é de Garanhuns, no Agreste, e mora em Camaragibe há dois anos.               Ele disse que nunca tinha visto os agentes que abordaram ele ontem à               noite. O corpo dele está cheio de hematomas e feridas, provocadas por              causa da abordagem.

A Polícia Civil informou que está investigando o caso. Também nesta             quarta, dois dos guardas municipais envolvidos no episódio prestaram depoimento.

Eule diz que o maior motivo da indignação dele é que toda a ação da                  guarda foi na frente do filho.

"O pior de tudo não é eu ter passado por aquilo, porque meu filho de 11 anos estava no local.              Você sabe o que é a cabeça, o psicológico de            uma criança que já está há 5 meses sem                estudar, só vive dentro de casa, a cabeça já          está a mil e acontece um negócio desses              com seu pai. Por conta de uma            irresponsabilidade municipal", afirmou.
               

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