terça-feira, 24 de setembro de 2019

Delator da Lava Jato é preso em operação contra lavagem de dinheiro de tráfico internacional de drogas

Segundo o site https://g1.globo.com/pr/paranaEfeito Dominó é um desdobramento da operação que prendeu o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul.
A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta terça-feira (15) Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, delator da Lava Jato. Outras sete pessoas também foram presas em uma operação contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.

Ceará atuava na Lava Jato com o doleiro Alberto Youssef e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF disse que vai avisar as duas instituições para que avaliem a rescisão do acordo.
Ceará foi preso preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado, em João Pessoa (PB). No final da manhã, ele deixou a sede da PF na Paraíba para ser transferido para a Superintendência da PF, em Curitiba.
Como delator da Lava Jato, Ceará mencionou os políticos Fernando Collor de Mello, Aécio Neves, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. (Veja abaixo).
O delegado da PF Igor Romário de Paula afirmou que, na época da delação, Ceará escondeu os crimes que ele cometia relacionados ao tráfico de drogas.

Prisões preventivas:

  • Carlos Alexandre de Souza Rocha (o Ceará);
  • Edmundo Gurgel Junior;
  • Ivo Queiroz Costa Filho;
  • Hamilton Brandão Lima;
  • Geraldo Ferreira Filho.

Prisões temporárias (por cinco dias):

  • José Maria Gomes;
  • Leonir Vettori;
  • Pedro Araújo Mendes Lima.                                                                                  Conforme a PF, seis investigados chegaram à Curitiba e foram encaminhados para a Superintendência da PF ainda na terça-feira. Hamilton e Pedro Araújo chegaram na manhã desta quarta-feira (16).                                                         

    Outros doleiros

    G1 apurou que, além dele, outros dois operadores financeiros agem no esquema investigado pela Operação Efeito Dominó, deflagrada nesta terça.
    Um deles, Edmundo Gurgel Junior, foi investigado pela PF no caso Banestado, na Operação Farol da Colina, segundo a Polícia Federal. Ele foi alvo de prisão preventiva, no Recife (PE).
    O outro doleiro preso é José Maria Gomes. A prisão dele é temporária e ocorreu no Rio de Janeiro (RJ).
    Todos os presos serão levados para a Superintendência da PF, em Curitiba. O G1 tenta localizar os advogados dos citados.
    • PF prende empresário no Recife em operação contra lavagem de dinheiro de tráfico internacional de drogas                                                    

      Operação Efeito Dominó

      Batizada de Efeito Dominó, a ação é um desdobramento da Operação Spectrum, deflagrada em 2017. Na ocasião, Luiz Carlos da Rocha –                         o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul,               segundo a PF – foi preso em Sorriso (MT).
      Cabeça Branca foi procurado por 30 anos pela PF e pela Interpol. Ele fez         várias cirurgias plásticas para mudar o rosto.
      De acordo com a PF, a investigação policial apontou uma "complexa e organizada estrutura" destinada à lavagem de recursos provenientes do        tráfico internacional de entorpecentes.
      O delegado da PF Roberto Biasoli afirmou que as pessoas presas nesta          terça-feira formam o "núcleo principal" da organização ligada ao Cabeça   Branca.
      "Só pelo que nós conseguimos levantar com o material apreendido, do ano de 2014 a 2017,          teriam sido negociadas 27 toneladas de               cocaína, isso com um lucro de aproximadamente US$ 140 milhões", disse o delegado.
      Biasoli explicou que quase todos os presos tinham acesso ao                         Cabeça Branca,     e que o contato com ele era restrito. Os presos,         segundo Biasoli, são doleiros       e lavadores de dinheiro.
      Conforme o delegado, Ceará e Cabeça Branca passaram a atuar juntos             a partir de 2016. Antes, em 2013, Ceará já trabalhava para traficantes,        ainda de acordo com o delegado.
      De acordo com a decisão do juiz Nivaldo Brunoni, da 23ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, as prisões foram decretadas porque a prática dos  crimes investigados "permite conclusão da existência de risco de           reiteração delitiva e, por conseguinte, risco à ordem pública".

      A estratégia

      A estratégia da operação, conforme a PF, é baseda na ligação de           interesses  das atividades ilícitas dos "clientes dos doleiros" investigados.   Biasoli citou que traficantes estão entre esses "clientes".
      De um lado, havia a necessidade de disponibilidade de grande volume            de         reais em espécie para o pagamento de propinas, segundo a PF.
      Do outro, de acordo com a PF, traficantes internacionais – como Cabeça        Branca – tinham disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para fazer as transações internacionais com fornecedores de cocaína.
      Biasoli esclareceu que a troca de dólares era realizada de várias formas,         sendo o dólar-cabo, que são transferências internacionais ilegais, uma         delas.
      Também havia lavagem de dinheiro, segundo o delegado, usando           fazendas e outros bens em nome de laranjas, além do envio de                     dinheiro vivo para o Paraguai em carros com fundos falsos.
      "A gente tem indícios de um link direto do           dinheiro do narcotráfico indo parar na mão de políticos corruptos (...) Eles não estão             interessados em saber a origem, eles querem receber. E esse cara que lidava com o dinheiro         de narcotraficantes também entregava propina          a corruptos", afirmou Biasoli.

      Os mandados judiciais

      Ao todo, são 26 mandados judiciais expedidos pela 23ª Vara                              Federal de Curitiba. Há 18 de busca e apreensão, cinco de prisão                preventiva e três de prisão temporária.
      Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, Pernambuco,                    Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e em São Paulo.
      Biasoli relatou que foram apreendidos documentos, uma arma de calibre          restrito e dinheiro. Entretanto, até o começo da tarde, não havia um balanço fechado do material apreendido na operação.
      A polícia ainda está mapeando o caminho do dinheiro da organização        criminosa.
      Crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes são apurados pela Efeito Domino                                                                                                                                                                                               

      Ceará                  

      Ceará, preso na Operação Efeito Dominó, é um dos delatores da                 Operação Lava Jato. Ele trabalhava para o doleiro Alberto Youssef                        e foi preso na                  1ª fase da Lava Jato.
      Em 2014, Ceará disse, em depoimento, que foi a Maceió e levou                      R$ 300 mil para o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) em pacotes de notas de R$ 100. O depoimento foi              homologado em 2015.
      À época, Collor negou conhecer Ceará e questionou a credibilidade                       do seu depoimento.
      O delator também mencionou, em depoimento, que o senador                    Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil a mando de Youssef.                Aécio negou a afirmação.
      Ceará ainda citou a entrega de dinheiro a outros políticos, entre eles,                   os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues                      (Rede-AP). Contudo, Alberto Youssef negou o repasse de valores                        a Randolfe Rodrigues,  e o STF não viu motivo para investigá-lo.                 Renan Calheiros negou ter  recebido dinheiro.
      Em nota, a defesa de Aécio informou que a acusação feita sobre o                  senador         foi arquivada pela Procuradoria-Geral da República (PGR)             e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 10 de fevereiro de 2016.
      "A própria PGR reconheceu no pedido de arquivamento da denúncia                que as declarações de 'Ceará' foram desmentidas nos depoimentos            prestados pelo empresário Ricardo Pessoa e por Alberto Yousseff",                       diz trecho do             comunicado
        
            

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