sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em áudios, facção criminosa xinga Moro e fala de conversa com PT

Segundo o site https://oglobo.globo.com/brasil: Integrantes da organização paulista reclamam da transferência de presos para o sistema federal e mencionam “diálogo cabuloso” com partido, que fala em "armação"
Agentes da Polícia Federal (PF) fazem operação em sete estados para desarticular núcleo financeiro de facção Foto: Divulgação / PF                                                                                                                                                                           Ouça: Em áudios, facção criminosa xinga Moro e fala de conversa com PT 0:00 04:59                                                                                                                                                                                          SÃO PAULO - Em ligações interceptadas pela Polícia Federal , integrantes da facção criminosa paulista que controla a venda de drogas e armas dos presídios reclamam da transferência de presos para o sistema federal, xingam o ministro da Justiça, Sergio Moro , e afirmam que, durante gestões anteriores, o bando e o Partido dos Trabalhadores (PT) tinham um diálogo "cabuloso".                                                                                                                                                   Os áudios fazem parte da investigação da Operação Cravada, da Polícia Federal (PF), deflagrada terça-feira, e que mirou a tesouraria do grupo. Durante as investigações, policiais descobriram depósitos mensais entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão em mais de 400 contas bancárias. O dinheiro era usado pelo bando para financiar crimes e manter sua rede funcionando em todo o território brasileiro.                                                                                                Na transcrição de um dos diálogos, a qual o GLOBO teve acesso, integrantes conversam sobre uma reportagem que informava sobre a intenção do governo de transferir chefes do grupo da penitenciária 2, de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, para o sistema federal, considerado mais rigoroso. Um deles reclama que, quando esses membros são removidos, os substitutos não têm autonomia para decidir no lugar deles – o que enfraqueceria a organização criminosa.                                                                                                     É nesse contexto que o integrante Alexsandro Roberto Pereira, também conhecido pelos apelidos de "Véio", "Elias" e "Raio-X", afirma que o governo atual já começou o mandato “mexendo com os irmãos”. Em fevereiro, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o número 1 da facção paulista, foi transferido com outros 21 membros para presídios federais. Em maio, outros três integrantes que haviam assumido o controle foram removidos para essas unidades.                                                                                      - Ele (Pereira) era um cara extremamente relevante, um dos integrantes do quadro do resumo da financeira, que decidia a aplicação do dinheiro da facção em termos de Brasil. Estava logo abaixo da cúpula. Podemos dizer que fazia parte do terceiro escalão – diz Martin Bottaro Purper, delegado da Polícia Federal que coordenou a operação.                                                                 No trecho interceptado, Pereira xinga o ministro Sergio Moro de “filho da p...” e diz que ele que chegou para “atrasar”. Em seguida, afirma que com o PT o bando tinha uma “linha de diálogo cabulosa”, mas que não podiam falar sobre isso pelo telefone. No relatório de inteligência da operação, a PF afirma que foram encontrados indícios de ligação da facção com partidos políticos, mas frisa que esse não é objeto da investigação.                                                                 "Foram encontrados indicativos de vínculos da ORCRIM PCC com partidos políticos, o que nesse momento não está dentro dos objetivos da investigação e, semelhante a questão de corrupção de agentes públicos, temos a necessidade de encerrar a chamada fase sigilosa da investigação", diz o documento da coordenação de repressão a drogas e facções criminosas             Segundo Purper, durante as investigações que resultaram na operação a PF não encontrou mais nenhum indício de ligações de partidos políticos com a facção. Durante as buscas na última quarta-feira, novos celulares, computadores e documentos foram apreendidos e ainda serão analisados.         - Até agora, não apareceram mais diálogos assim. No material apreendido, pode surgir coisa ou não – disse Purper.                                                                       O interlocutor de Pereira no diálogo interceptado era Willians Marcondes Moraes, conhecido pelo vulgo "Rolex", na ocasião preso na unidade de Valparaiso, no interior do estado. Na operação, Pereira foi preso na região metropolitana de São Paulo. Já Moraes foi transferido para uma unidade federal.                                                                                                                                 No Twitter, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, atribuiu a interceptação telefônica a suposta “armação” do ministro Moro contra o PT e o acusou de uso político da PF. “Quem dialogou e fez transações milionárias com criminosos confessos não foi o PT, foi o ex-juiz Sergio Moro, para montar uma farsa judicial contra Lula com delações mentirosas e sem provas”.               Entenda a investigação                                   Em curso desde fevereiro, a investigação teve acesso a planilhas contábeis da facção e descobriu depósitos mensais que financiavam desde crimes ao pagamento de auxílio funeral de um integrante. De acordo com a investigação, os repasses eram originários do tráfico de drogas. A transferência entre contas bancárias era feita de forma fracionada para não acionar dispositivos de vigilância do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).                                                                                                           A informação sobre a existência de uma espécie de núcleo financeiro da facção estabelecido na Penitenciária Estadual de Piraquara, no Paraná, deu início às investigações. Esses três presos, segundo os investigadores, seriam responsáveis por recolher e gerenciar as contribuições para a facção em âmbito nacional.                                                                                                                  Apoie o jornalismo profissional                                                                        A missão do GLOBO é a mesma desde 1925: levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o Brasil e o mundo. 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