Simulação de sexo na presença de crianças em peça teatral: é verdade e diretor virá ao Brasil

Segundo o site www.locusonline.com.br: Em Lam Gods, o diretor suíço Milo Rau transforma arte sacra em um espetáculo grotesco, vendido como manifesto pela arte e espiritualidade na vida humana
No embate virtual das ideias, todo dia somos bombardeados por informações de várias fontes, compartilhadas nas redes sociais e aplicativos por pessoas das mais variadas origens. Em comum, a indignação que raramente põe filtro a informações nem sempre verdadeiras.
Quando uma imagem como a que ilustra a capa deste artigo começa a circular no WhatsApp, o bom senso pede que o olhar encontre sinais de edição, falhas toscas e inegáveis da falsificação. Infelizmente, não é o caso desta vez. É o que está ali: um casal nu em uma cena de sexo, observado por várias crianças sentadas a poucos centímetros da dupla.
A cena faz parte da peça Lam Gods, do diretor suíço Milo Rau, em cartaz no teatro NTGent na cidade de Gante, na Bélgica
. O Cordeiro de Deus, uma espécie de caricatura teatral da obra de arte sacra Retábulo de Gante, usa e abusa de símbolos e personagens da fé católica, com direito a cordeiro de verdade no palco, Adão e Eva, Deus e a Virgem Maria (interpretada pela mãe belga de um integrante do Estado Islâmico, já morto).
O Retábulo de Gante, obra sacra que inspirou a peça Lam Gods.
Diferente da problemática envolvendo a Queermuseu no Santander Cultural – onde símbolos religiosos eram profanados e imagens infantis eram parte integrante de algumas obras – e da interação de uma criança com um ator no caso do “Peladão do MAM”, na Lam Gods,
acontece o inaceitável para a maioria das pessoas: crianças que também fazem parte do coral da peça testemunham uma performance entre atores que simulam um ato sexual. A cena já causou revolta em associações de pais da Bélgica, que já acionaram o Ministério da Cultura do país em protesto pelo ato que chamam de “pornografia disfarçada de arte”. Aqui, como lá, há dinheiro público envolvido.


As crianças da Lam Gods.
Segundo o jornal O Globo, o diretor Milo Rau será uma das atrações da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que ocorrerá em março de 2019. Em texto do jornalista Luiz Felipe Reis, de 28 de agosto deste ano, o encenador é celebrado exaustivamente:
Na última década, Milo Rau se tornou um dos mais importantes nomes do teatro mundial. À frente de uma central de criação multimídia, o International Institute of Political Murder, ele tem criado peças, performances, filmes, instalações, além de trabalhos cujos formatos de relação com o público vêm dos campos da política, da Justiça e da mídia, como congressos, tribunais, debates e programas de TV e de rádio.

Vencedor dos principais prêmios teatrais da Suíça e da Alemanha, Milo — um ex-ativista e sociólogo, pupilo de Tzvetan Todorov e Pierre Bourdieu — tem se destacado pelo modo como combina engajamento político e uma pesquisa de linguagem multimídia, que borra as fronteiras entre o teatro, o cinema e o documentário. Suas obras investigam, sobretudo, a relação entre política e violência, e são construídas a partir de histórias reais, sejam conflitos históricos e geopolíticos, ou casos recentes de crimes.
Nós já vimos este filme: A Queermuseu era celebrada sem freios pelos jornais de Porto Alegre meses antes de toda a controvérsia e fechamento da exposição. É bom frisar que não há notícia da encenação da peça no Brasil e sim apenas a presença ilustre de seu criador em solo brasileiro, mas é possível arriscar um palpite: seria aplaudida de pé por boa parte do teatro brasileiro.

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