Pedidos de refúgio de venezuelanos neste ano no Brasil mais do que dobraram em relação a 2016

egundo o site http://g1.globo.com/mundo:

De janeiro à primeira semana de maio foram registrados 8.231 solicitações, segundo Ministério da Justiça. Venezuelanos fogem da escassez de alimentos, violência e perseguição política.Fronteira entre Brasil e Venezuela, no Norte de Roraima, está fechada com cones na manhã desta segunda-feira (19) (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)agravamento da crise econômica, a repressão e o aumento da violência na Venezuela têm feito com que um número cada vez maior de pessoas deixem o país. O Panamá, o Equador e o Chile têm sido principal destino, mas o Brasil também está entre os países procurados. O número de pedidos de refúgios deste ano é mais do que o dobro do que o registrado no ano passado, segundo dados do Ministério da Justiça.

De acordo com o levantamento, de janeiro até a primeira semana de maio (02/05) deste ano foram registrados 8.231 solicitações. Somente entre o final de março e o início de maio de 2017 foram 5.436. Durante todo ano de 2016 foram 3.375 pedidos.
No dia 31 de março começou uma nova onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, e incidentes violentos como confrontos entre manifestantes e forças de segurança, tiroteios e saques se intensificaram. De acordo com o Ministério Público venezuelano, 35 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas nesse período.
O pedido de refúgio é o caminho mais rápido e seguro para legalizar a situação no Brasil. A maioria dos solicitantes são venezuelanos que vivem na região da fronteira entre os dois países. Eles fogem da escassez de alimentos, da violência e da perseguição política. (Foto: Editoria de Arte/ G1)Com menos recursos econômicos, os venezuelanos que entram no Brasil se instalam em Boa Vista, Roraima. Os que têm melhores condições financeiras seguem viagem até Amazonas ou São Paulo. Alguns buscam acolhida na Casa do Migrante da Missão Paz, na região do Glicério, centro de São Paulo (SP).
Desde o início do ano, 11 venezuelanos procuraram ajuda no local. O número não é alto se comparado ao fluxo de haitianos, por exemplo, segundo o Padre Paolo Parisi, coordenador da Missão Paz. Porém, é a primeira vez que um grupo de mais de dez pessoas procura atendimento num período de três meses.Edison Hijam, de 48 anos, está há seis meses no Brasil  (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)Edison Hijam, de 48 anos, está há seis meses no Brasil (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)        O professor de história Edison Hijam, aposentado pela Universidad Sur del Lago, de 48 anos, veio para o Brasil há seis meses e está entre os que procuraram atendimento na Missão Paz. Em busca de melhores condições econômicas, Edison deixou a mulher, filho e neto na cidade de Santa Bárbara de Zulia, próximo à fronteira da com a Colômbia. O salário mínimo que recebia de 200 mil bolívares por mês não era suficiente nem para comprar alimentos. A cesta básica no país atualmente custa cerca de 680 mil bolívares.
A inflação, que no ano passado fechou em cerca de 800%, corrói o salário dos trabalhadores. O professor conta que muitos dos que vivem na região saem à procura de alimentos do outro lado da fronteira. Mas o risco de assalto e as taxas cobradas por paramilitares e pela guerrilha tornam a viagem arriscada.
Ele diz que a situação no país é muito grave, resultado de uma disputa de poder que parece não ter fim. “Quem está fora do governo quer entrar a qualquer custo e quem está dentro não quer sair. Quem paga as consequências é o povo que não tem comida, não tem acesso à saúde, não tem trabalho. E ainda sofremos com a falta de democracia e problemas humanitários”, diz.Carlos Escalona, de 33 anos, sofreu perseguição política e ameaças durante um sequestro relâmpago na Venezuela (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)Carlos Escalona, de 33 anos, sofreu perseguição política e ameaças durante um sequestro relâmpago na Venezuela (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)      Os veículos de imprensa no país só publicam informações permitidas pelo governo. Os dados, considerados imparciais pela população, chegam pelas agências internacionais, segundo conta o jornalista Carlos Escalona, de 33 anos, que está no Brasil desde o início deste ano. Ele veio para o Brasil depois de ser vítima de perseguição política e de sofrer ameaças durante um sequestro relâmpago. A família está em outro país vizinho.
O jornalista trabalhava na área de comunicação no governo do estado de Aragua, cujo governador na época era Tareck El Aissam, hoje vice-presidente da Venezuela. As perseguições começaram depois que ele descobriu um esquema de corrupção e propina dentro do governo do estado. “Eles me amedrontaram durante quatro horas de sequestro. Ameaçaram a mim e a minha família. Então, resolvemos deixar o pais”, conta ele, que não pretende voltar.O venezuelano Wilmer Cafaña, de 22 anos, demorou 6 meses para chegar a São Paulo de ônibus (Foto: Vivane Sousa/ Globonews)O venezuelano Wilmer Cafaña, de 22 anos, demorou 6 meses para chegar a São Paulo de ônibus (Foto: Vivane Sousa/ Globonews)     A taxa de desemprego oficial no país é de cerca de 20%, mas os venezuelanos dizem que esse número é muito maior. A embaixada da Venezuela no Brasil e o consulado do país em São Paulo, não passam informações para a imprensa. O número de jovens desempregados na Venezuela é bastante alto.
Wilmer Cafaña, de 22 anos, veio para o Brasil em busca de algum trabalho que lhe desse salário suficiente para manter a família com condições mínimas de sobrevivência. O último emprego fixo que teve foi como encarregado em um restaurante de Maturim, no norte do país. O salário de 15 mil bolívares por mês não dava para manter a mulher e a filha de 3 anos. Os recursos eram escassos e passavam muitas necessidades. Ele conta que “com esse dinheiro nós comíamos mandioca e sardinha quase todos os dias, isso quando tínhamos o que comer”.Padre Paolo Parisi (de vermelho), coordenador da Missão Paz, com venezuelanos acolhidos na Casa do Migrante em São Paulo (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)Padre Paolo Parisi (de vermelho), coordenador da Missão Paz, com venezuelanos acolhidos na Casa do Migrante em São Paulo (Foto: Viviane Sousa/ Globonews)    Cafaña fez toda jornada de 6 meses até São Paulo de ônibus. Começou indo até a fronteira e Boa Vista. Depois, seguiu até Manaus, Belém e Fortaleza. Em cada cidade onde parava, trabalhava informalmente por algumas semanas até conseguir dinheiro para comprar o próximo trecho da viagem.
Ele está há oito meses na capital paulista, onde depois de conseguir os documentos de refúgio, conseguiu encontrar um emprego em uma confecção como entregador. Ele já consegue enviar R$ 500 para a mulher e a filha. Sobre seu futuro, Wilmer diz que não pretende voltar para a Venezuela porque não acha que a situação no país vá melhorar em curto ou médio prazo. Ele pretende trazer a família e estudar engenharia aqui no Brasil.
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  • Pedidos De Refúgio De Venezuelanos No BRASIL Em 2017 Já Superam 8 Mil

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